RECURSOS NATURAIS

Ministro Téte António defende governação responsável dos recursos naturais

Ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António (esq.), no Debate Aberto de Alto Nível do Conselho de Segurança das Nações UnidasImagem: MIREX

23/07/2026 10h53

Luanda – O ministro das Relações Exteriores, Téte António, reafirmou, esta quarta-feira, em Nova Iorque, que Angola defende uma governação transparente, responsável e sustentável dos recursos naturais.

Ao intervir no debate aberto de alto nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sobre o tema "Governação dos Recursos Naturais: A Base da Paz, da Segurança e da Prosperidade", defendeu a gestão eficaz dos recursos constitui um elemento essencial para a promoção da paz, segurança internacional e desenvolvimento sustentável.

O chefe da diplomacia angolana felicitou a República Democrática do Congo pela presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas e pela realização do debate, tendo destacado a sua relevância num contexto internacional em que a exploração ilícita dos recursos naturais continua a alimentar conflitos armados e a comprometer os esforços de desenvolvimento em diversas regiões do mundo, particularmente em África.

Reconheceu as contribuições do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, e da directora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala, cujas intervenções reforçaram a necessidade de uma abordagem coordenada para enfrentar os desafios relacionados com a governação dos recursos naturais.

Durante a sua intervenção, Téte António sublinhou que os recursos naturais representam uma oportunidade para impulsionar o crescimento económico, fortalecer as instituições e melhorar as condições de vida das populações, quando geridos de forma transparente e responsável.

Advertiu que a ausência de boa governação favorece a corrupção, financia grupos armados, fragiliza os Estados e priva os cidadãos dos benefícios da riqueza dos seus próprios países.

Em nome de Angola, apresentou três prioridades consideradas essenciais para transformar os recursos naturais em instrumentos de estabilidade e prosperidade, sendo a primeira virada para o reforço dos quadros jurídicos, regulamentares e institucionais que regulam o acesso, exploração e comércio dos recursos naturais, preservando plenamente a soberania dos Estados sobre os seus recursos.

Nesta primeira prioridade incluiu o combate à exploração ilegal, o reforço das medidas anti-corrupção e o combate aos fluxos financeiros ilícitos, assim como a rastreabilidade nas cadeias globais de abastecimento e utilização de tecnologias inovadoras para aumentar a transparência e a prestação de contas..

A importância de se consolidar mecanismos internacionais já existentes, como o Processo Kimberley, cuja criação contou com a experiência angolana no combate aos chamados "diamantes de sangue", as directrizes de Due Diligence da Organização para Cooperação Económica e Desenvolvimento (OCDE), o Mecanismo Regional de Certificação da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos e a Iniciativa para a Transparência das Indústrias Extractiva, constitui a primeira prioridade.

Como segunda prioridade, advogou o aprofundamento da cooperação internacional, considerando que a exploração e o tráfico ilícitos de recursos naturais constituem desafios transnacionais que exigem respostas coordenadas entre os Estados, organizações regionais, instituições financeiras internacionais, sector privado e sociedade civil.

A terceira prioridade, segundo o ministro Téte António, centra-se na integração da governação dos recursos naturais nas estratégias de prevenção de conflitos e consolidação da paz, e recordou que, em várias regiões africanas, como no Leste da RDC, a exploração ilegal de recursos continua a financiar grupos armados, alimentar ciclos de violência e comprometer iniciativas de paz.

Defendeu, por isso, uma governação mais robusta, maior valorização local dos recursos, sustentabilidade ambiental, participação efectiva das comunidades e investimento contínuo no reforço das instituições nacionais.

Reiterou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas reconhece há muito tempo a estreita ligação entre a exploração ilícita dos recursos naturais e os conflitos armados, defendendo que esta dimensão seja integrada de forma sistemática nas estratégias de prevenção de conflitos, consolidação da paz, regimes de sanções e processos de recuperação pós-conflito.

Manifestou igualmente o interesse de Angola na proposta apresentada pela República Democrática do Congo para a criação de um Grupo de Amigos para a Governação dos Recursos Naturais, considerando tratar-se de uma iniciativa promissora para fortalecer a cooperação internacional nesta matéria, indica uma nota de imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, em Nova Iorque.

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