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SADC defende aumento na região do comércio de produtos agrícolas

Participantes na Cimeira da SADC, em Durban, África do Sul
Participantes na Cimeira da SADC, em Durban, África do Sul Imagens: DR

Redacção

Publicado às 13h02 19/08/2026 - Actualizado às 13h02 19/08/2026

Luanda - A 46.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) exortou aos Estados-Membros a aumentar o comércio regional de produtos agrícolas através da eliminação de Barreiras Não Tarifárias (BNT), da harmonização das normas e da melhoria da logística transfronteiriça.

O posicionamento consta do comunicado final da referida Cimeira que decorreu, segunda-feira, em Durban, África do Sul, onde o Presidente da República, João Lourenço, foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António.

A medida, refere o documento, citado pelo JA Online, visa garantir a circulação eficiente de produtos alimentares das zonas excedentárias para as zonas deficitárias, estabilizando, assim, a oferta e os preços em toda a região.

A Cimeira encorajou, igualmente, os Estados-Membros, face à evolução do cenário geopolítico mundial, a tirarem partido das oportunidades emergentes de modo a aprofundar a integração regional, reforçar o comércio e o investimento, mobilizar recursos internos e reforçar a resiliência colectiva, promovendo, desta forma, o desenvolvimento sustentável e a agenda regional.

Ao reconhecer os Estados-Membros que registaram progressos significativos na promoção das mulheres a cargos de liderança e de tomada de decisão, a Cimeira Ordinária estimulou os que ainda não atingiram as metas definidas no âmbito do Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento, bem como noutros instrumentos continentais e mundiais relevantes, a acelerarem o processo, implementando, simultaneamente, quadros legislativos e políticas específicas para prevenir a violência baseada no género e proteger os direitos humanos.

Inclusão de programas juvenis

Os participantes apelaram igualmente aos Estados-partes a integrarem os programas da juventude em todos os sectores e os planos de desenvolvimento nacionais e regionais, bem como adoptarem recursos adequados às iniciativas centradas nos jovens.

Estas iniciativas, segundo os participantes, devem promover a participação significativa, o desenvolvimento de competências, o empreendedorismo, a inovação, a criação de emprego e as oportunidades de liderança, reforçando, assim, a transformação socioeconómica, a resiliência e o desenvolvimento sustentável da região da SADC.

Por outro lado, a Cimeira apelou igualmente aos Estados-Membros a reforçarem a vigilância e o nível de preparação face às doenças, com o objectivo de prevenir, detectar e dar resposta a surtos e pandemias, através da partilha oportuna de informações e de acções regionais coordenadas.

Apoio contínuo à RDC no combate à Ébola

Neste âmbito, a Cimeira exortou à necessidade de se prestar apoio contínuo à República Democrática do Congo (RDC) na resposta ao surto de Ébola (Doença causada pelo Vírus Bundibugyo).

A Cimeira felicitou, neste sentido, a República de Angola, da África do Sul e do Zimbabwe, bem como os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC África), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e outros parceiros pelo apoio financeiro e técnico prestado no âmbito da resposta ao surto de Ébola.

A mesma assinalou os esforços regionais envidados para controlar e prevenir o surto de Febre Aftosa e designou o Instituto de Vacinas do Botswana como Banco Regional de Antigénios/Vacinas contra à Febre Aftosa, com vista a reforçar os esforços regionais de prevenção e controlo dos surtos desta doença.

Solidariedade à RDC e ao Madagáscar

A Cimeira reafirmou solidariedade para com o povo da RDC, reiterando, desta forma, o apoio da SADC aos esforços coordenados a nível regional e internacional, visando restaurar a paz e a segurança, proteger a população civil, reforçar as respostas humanitárias e de saúde pública, promovendo um diálogo inclusivo e melhorar a resiliência face aos desafios em curso.

Por outro lado, o documento menciona que foi acolhido, com agrado, a realização de um diálogo construtivo na República de Madagáscar, graças aos esforços envidados pelo Painel de Anciãos (PdA), com o apoio do Grupo de Referência para a Mediação (GRM) e do Secretariado da SADC.

Este Painel, segundo o comunicado, reiterou o compromisso de a região apoiar o processo de reforma e a agenda de desenvolvimento de Madagáscar, incluindo a promoção de uma governação inclusiva, de instituições democráticas, da responsabilização, dos direitos humanos e da participação dos cidadãos, bem como o regresso à normalidade constitucional.

Ainda neste âmbito, a Cimeira saudou o Governo de Moçambique pela realização do diálogo nacional inclusivo, em curso, e pela prossecução dos esforços no combate ao terrorismo e na manutenção da paz e da segurança em alguns distritos da província de Cabo Delgado.

Aprovado UNIVISA de Turismo da SADC

O documento destaca a aprovação do Acordo que Cria o UNIVISA de Turismo da SADC, tendo a Cimeira apelado a sua assinatura pelos Estados-Membros, reconhecendo a sua importância na facilitação de viagens sem obstáculos em toda a região, no reforço do crescimento do turismo, na promoção da integração regional e no impulso ao desenvolvimento económico através do incremento do número de turistas e do investimento.

Os Estados-Membros foram exortados a aderir aos instrumentos jurídicos da Organização em vigor, bem como acelerar a assinatura e a ratificação dos instrumentos da SADC, adoptados, que ainda não entraram em vigor, a fim de acelerar a integração regional e a reforçar a cooperação entre os Estados-Membros para, entre outros objectivos, apoiar o desenvolvimento de infra-estruturas e promover um crescimento económico harmonizado.

Plano Indicativo de Desenvolvimento Regional

Os participantes passaram em revista o Relatório de Avaliação Intercalar do Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional (RISDP) 2020-2030, um documento que formula recomendações concretas com vista a identificar algumas prioridades de grande impacto.

Estas prioridades, como foi citado, passam pela industrialização, o quadro de mobilização de recursos, as cadeias de valor regionais, a transformação de produtos agrícolas, os minerais críticos e a transição energética justa, assim como os corredores económicos, os postos fronteiriços de paragem única e o financiamento da saúde.

Foi igualmente revisto o relatório do presidente do Órgão de Cooperação nas áreas de Política, Defesa e Segurança da SADC, o Presidente do Malawi, Arthur Peter Mutharika, tendo sido felicitado pela sua liderança, dedicação e contribuição valiosa na promoção da paz, da segurança, da estabilidade e da governação democrática na região da SADC, no exercício das suas funções.

SADC saúda Angola pela realização da Cimeira da UA

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) saudou Angola pela realização, em Luanda, da Conferência Extraordinária da União Africana sobre o Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África, prevista para 29 e 30 do corrente mês.

A manifestação consta do comunicado final que encerrou segunda-feira, em Durban, África do Sul, sob a presidência do Chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, na qual o Presidente João Lourenço esteve representado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António.

O Comunicado sublinha que a Cimeira recebeu com agrado o convite de Angola dirigido aos Chefes de Estado e de Governo da SADC para participarem no encontro continental, dedicado ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África.

A iniciativa enquadra-se nos esforços africanos para consolidar a paz, a segurança e a estabilidade no continente, através do fortalecimento dos mecanismos de prevenção, gestão e resolução de conflitos.

Por outro lado, a mesma notou que a República da Zâmbia vai acolher a 47.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC.

Agricultura e minerais críticos como principais factores

Foi aprovado, igualmente, o lema da 46.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da SADC, sobre “Industrialização Resiliente, Sustentável e Inclusiva através do Desenvolvimento de Infra-estruturas, da Transformação Agrícola e de Minerais Críticos por um Mundo Justo”.

O destaque neste sentido são as infra-estruturas, a agricultura e os minerais críticos como principais factores impulsionadores da industrialização, com vista a uma região da SADC competitiva, resiliente às alterações climáticas, inclusiva e próspera.

 

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