EDUCAçãO
Angola defende protecção da Educação no Sudão como pilar de paz e estabilidade
11/08/2026 07h45
Luanda – O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, defendeu, sexta-feira última, em Nova Iorque, a necessidade de se colocar a protecção da educação no centro da resposta internacional à crise no Sudão, por considerar ser um elemento essencial para proteger crianças, a reconstrução institucional e a consolidação de uma paz duradoura.
O diplomata angolano, que falava numa reunião em Fórmula Arria do Conselho de Segurança das Nações Unidas, subordinada ao tema “Salvaguardar a Educação no Sudão: investir na paz, na recuperação e na estabilidade”, alertou para as consequências devastadoras que o conflito continua a produzir sobre o sistema educativo e sobre o futuro de milhões de crianças sudanesas.
Na ocasião, Francisco José da Cruz salientou que a destruição de escolas, deslocamento de professores e interrupção prolongada do ensino transformaram a crise educativa numa emergência que transcende a dimensão humanitária, assumindo implicações profundas nos domínios da protecção, da paz e da segurança.
Sublinhou que milhões de crianças permanecem afastadas da escola, afectando de forma particularmente grave meninas, crianças deslocadas internamente, refugiadas e com deficiência.
Recordou que a interrupção da educação amplia a exposição das crianças a riscos, como o recrutamento e a utilização por grupos armados, violência sexual, exploração, trabalho infantil e casamento precoce.
Segundo disse, a perda prolongada do acesso à educação representa também uma ameaça ao futuro do próprio Sudão, ao comprometer a formação do capital humano indispensável à reconstrução das instituições, recuperação económica, reconciliação e reforço da coesão nacional.
Nestes termos, defendeu que o seu país identifica prioridades para a protecção da educação, tendo apresentado quatro áreas prioritárias que considera indispensáveis para uma resposta internacional mais eficaz, nomeadamente reforço do respeito pelo Direito Internacional, Educação como componente essencial da resposta humanitária, preservação da continuidade do sistema educativo sudanês e integração da educação nos processos de paz e recuperação.
Francisco José da Cruz recordou que a experiência de Angola demonstra que a consolidação da paz não se limita à cessação das hostilidades, exigindo igualmente a reconstrução das instituições, restauração da confiança e criação de perspectivas concretas para as novas gerações.
Reiterou o apelo de Angola a uma cessação imediata das hostilidades no Sudão, criação de condições para um processo político inclusivo, credível e liderado pelos próprios sudaneses, bem como o reforço de uma acção internacional coordenada e determinada, para pôr termo ao conflito e aliviar o sofrimento da população.
Reafirmou a convicção do seu país de que a educação não deve ser tratada como uma questão secundária em situações de conflito, mas como um investimento estratégico na paz, estabilidade e recuperação das sociedades afectadas pela guerra.
A concluir, enfatizou que salvaguardar a educação no Sudão significa proteger as crianças de hoje e preservar as bases humanas e institucionais necessárias para construir uma paz duradoura, promover a recuperação nacional e contribuir para a estabilidade regional, indica uma nota de imprensa dos Serviços de Imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas.