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Obras do Memorial dos Conflitos Políticos a 90 por cento de execução física

Futuro Memorial às Vitimas dos Conflitos Políticos em Angola
Futuro Memorial às Vitimas dos Conflitos Políticos em Angola Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 06h19 11/09/2026 - Actualizado às 06h19 11/09/2026

Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, constatou, esta quinta-feira, que a construção do Memorial às Vitimas dos Conflitos Políticos em Angola está com uma execução física de 90 por cento e a sua conclusão está prevista para meados de Outubro próximo.

Os dados foram apresentados ao Presidente da República, João Lourenço, pelo director do Gabinete de Obras Especiais, Leonel Cruz, durante uma visita de constatação que realizou ao local onde está a ser erguido o memorial.

Na ocasião, João Lourenço percorreu as diferentes áreas do empreendimento e recebeu explicações técnicas sobre o grau de execução física, os trabalhos em curso e os prazos estabelecidos para a conclusão das obras.

Leonel Cruz informou que, desde a última visita do Presidente João Lourenço ao projecto, em Maio do corrente ano, ocasião em que as obras apresentavam cerca de 60 por cento de execução física, os trabalhos e a logística foram intensificados, o que permitiu alcançar a actual percentagem.

Neste momento, acrescentou, estão previstos cerca de 30 dias de trabalho para a conclusão integral da empreitada.

Leonel da Cruz sublinhou que o empreendimento ultrapassa a dimensão de uma obra de engenharia, assumindo particular relevância artística, histórica e simbólica, por representar uma reflexão sobre os conflitos políticos vividos em Angola, entre 1975 e 2002.

O projecto integra três elementos centrais Aliança Eterna, Hall de Memoria e Mulembeira, concebidos para constituir um espaço de memória, reflexão e reconciliação nacional, segundo disse.

Adiantou que o projecto procura também transmitir às diferentes gerações uma mensagem de entendimento e de paz, na perspectiva de que os conflitos do passado não voltem a se repetir.

Durante a visita, informou que o Panteão Nacional, uma estrutura independente do Memorial dos Conflitos Políticos, está com 40 por cento de execução física, o que representa um avanço de cerca de 20 pontos percentuais, desde Maio passado.

A arquitecta e artista plástica Fineza Teta destacou a dimensão cultural, educativa e de consciencialização histórica do memorial, e afirmou que o projecto foi concebido para honrar e reconhecer a história de Angola, desde a arte, ao design, à tecnologia e à arquitectura como instrumentos de preservação da memória colectiva.

De acordo com a especialista, o trabalho de investigação e identificação das vítimas dos conflitos políticos constitui igualmente uma das componentes do Memorial dos Conflitos Políticos, estando em curso a preparação de conteúdos e a conservação de peças e artefactos relacionados com as vítimas.

Por seu lado, o médico legista Aurélio Ngueve, chefe da equipa médico-forense da CIVICOP, afirmou que o projecto combina elementos físicos com recursos digitais, privilegiando uma experiência que permita aos visitantes compreender a dimensão humana dos acontecimentos retratados.

Explicou que estão a ser consideradas experiências internacionais, particularmente da França, no domínio da preparação e conservação de peças e artefactos relacionados com vítimas de conflitos políticos.

Aurélio Ngueve adiantou que a equipa audiovisual da comissão, que é multidisciplinar, dispõe de um volume significativo de conteúdos destinados a enriquecer a apresentação do Memorial dos Conflitos Políticos.

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