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João Lourenço participa no debate sobre justiça reparadora

Presidente da República, João Lourenço, participou em reunião virtual promovida pelo Conselho Consultivo Global sobre Justiça Reparadora
Presidente da República, João Lourenço, participou em reunião virtual promovida pelo Conselho Consultivo Global sobre Justiça Reparadora Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 12h04 17/09/2026 - Actualizado às 12h04 17/09/2026

Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, participou, esta quarta-feira, numa reunião virtual promovida pelo Conselho Consultivo Global sobre Justiça Reparadora, que abordou a escravatura e os seus impactos históricos.

O encontro reuniu líderes de África e do Caribe, regiões do mundo profundamente marcadas pela escravatura, em relação ao qual se desenvolvem agora diligências multidimensionais tendentes a reparar o que as Nações Unidas consideram como o maior crime cometido contra a Humanidade.

De acordo com uma nota de imprensa dos Serviços de Apoio do Presidente da República, durante a reunião foram abordadas iniciativas destinadas a promover a justiça reparadora e a enfrentar os efeitos da escravatura, através de acções de carácter político, histórico, económico e social.

A iniciativa surge no quadro dos esforços internacionais para aprofundar o reconhecimento dos impactos deixados pela escravatura e discutir mecanismos de reparação para as populações e comunidades afectadas.

As Nações Unidas reconheceram a escravatura e o tráfico transatlântico de escravos como práticas que constituíram crimes e graves violações dos direitos humanos, com consequências que permanecem presentes em várias sociedades.

A participação de Angola no debate, indica a nota, reafirma a atenção do país às questões relacionadas com a memória histórica, justiça e reparação, num momento em que o tema ganha espaço nas discussões internacionais.

Angola tem defendido a criação de um Fundo Internacional para a Justiça Reparatória, sob a égide das Nações Unidas, destinado a financiar programas de desenvolvimento humano, educação, saúde e redução das desigualdades estruturais nas comunidades africanas e afrodescendentes.

Entre as propostas apresentadas pelo país constam igualmente a restituição e o repatriamento do património cultural africano, a criação de um mecanismo internacional de verdade e memória sobre a escravatura e o colonialismo e programas de capacitação económica, técnica e tecnológica dirigidos, sobretudo, à juventude e às mulheres.

A posição angolana considera que a justiça reparatória deve ultrapassar as compensações financeiras ou os gestos simbólicos e traduzir-se em acções capazes de enfrentar desigualdades e exclusões que persistem como consequências daquele período histórico.

A questão assume particular significado para Angola, que esteve no centro de importantes rotas do tráfico transatlântico de africanos escravizados, com Luanda e Benguela entre os principais portos de embarque de pessoas enviadas à força para as Américas.

Angola tem igualmente associado a agenda da justiça reparatória à reforma da governação internacional e defende, nesta perspectiva, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a inclusão de países africanos como membros permanentes.

A reunião do Conselho Consultivo Global sobre Justiça Reparatória surge na sequência de iniciativas internacionais destinadas a aprofundar o reconhecimento histórico da escravatura e do tráfico transatlântico e a definir mecanismos de reparação para os povos afectados.

Para Angola, o processo deve assentar na cooperação internacional e em compromissos concretos, com uma abordagem que articule memória, restituição, desenvolvimento e maior participação dos povos africanos e das comunidades de ascendência africana nas decisões sobre o seu futuro.

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