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Téte António defende participação estratégica de Angola nos debates na ONU

Ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António
Ministro angolano das Relações Exteriores, Téte António Imagens: MIREX

Redacção

Publicado às 18h27 21/09/2026 - Actualizado às 18h27 21/09/2026

Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, defendeu, este domingo, em Nova Iorque, que Angola deve encarar a octogésima primeira Assembleia Geral das Nações Unidas como uma oportunidade estratégica para afirmar as suas prioridades nacionais e africanas, reforçar a sua presença diplomática e contribuir para o fortalecimento do multilateralismo.

Em declarações à imprensa angolana, adiantou que a sessão em curso da Assembleia Geral da ONU, decorre num contexto internacional marcado por conflitos, crescente tensão geopolítica, dificuldades económicas e pela necessidade de recuperar a confiança nas instituições multilaterais.

Téte António considera que Angola deve apresentar uma mensagem política clara sobre paz e segurança internacionais, reforma do sistema multilateral, desenvolvimento sustentável, alterações climáticas, financiamento ao desenvolvimento e os principais conflitos que afectam África e o mundo.

Para o chefe da diplomacia angolana Angola não deve apenas reagir à agenda internacional, mas procurar ajudar a construí-la, destacando a experiência do país na resolução de conflitos, mediação e promoção da paz regional.

Segundo Téte António, a participação angolana deve colocar as prioridades africanas no centro dos debates, com particular atenção para a paz e segurança, combate ao terrorismo, resolução de conflitos, integração regional e necessidade de uma maior representação do continente nas instituições multilaterais.

Entre as prioridades, apontou igualmente o financiamento do desenvolvimento, a questão da dívida, segurança alimentar, alterações climáticas, industrialização e o reforço da participação dos países africanos nos processos internacionais de tomada de decisão.

Sublinhou a importância da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e defendeu uma reforma efectiva do sistema multilateral que assegure maior representatividade, eficácia e credibilidade às instituições internacionais.

Indicou a paz e a segurança internacionais como uma das principais linhas da participação de Angola, e reiterou a defesa da solução pacífica dos conflitos, promoção do diálogo e da mediação.

Salientou a experiência histórica de Angola, marcada pelo conflito, pela reconciliação nacional e pela construção da paz, que pode constituir um importante instrumento diplomático a ser colocado ao serviço da prevenção e resolução de conflitos no continente.

Entre os objectivos de interesse nacional e continental, Téte António destacou a promoção da candidatura da embaixadora angolana Josefa Sacko, ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo disse, a candidatura constitui um objectivo de interesse nacional e do continente africano, por ser a única endossada pela União Africana.

Téte António salientou que a diplomacia angolana deverá combinar a defesa de princípios com uma abordagem pragmática, baseada na procura de consensos e resultados.

Entre os princípios a defender, apontou a soberania, integridade territorial, não ingerência nos assuntos internos dos Estados, solução pacífica dos conflitos e o respeito pelo Direito Internacional.

Na sua perspectiva, uma mudança de abordagem na ONU permitirá transformar a participação angolana numa intervenção diplomática mais estratégica, capaz de gerar alianças, iniciativas e resultados, e que combine a defesa dos interesses nacionais com a promoção das prioridades africanas e o reforço do multilateralismo.

De acordo com uma nota de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, a sessão em curso elegeu Khalilur Rahman, do Bangladesh, como presidente da Assembleia Geral da ONU.

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