Angola quer reforçar presença de quadros nacionais na ONU
Luanda – O ministro das Relações Exteriores, Téte António, disse que Angola trabalha para reforçar a presença de quadros nacionais no sistema das Nações Unidas, através da preparação, capacitação e apoio de candidatos angolanos interessados em concorrer a oportunidades profissionais na organização.
Téte António afirmou, em entrevista exclusiva à ANGOP, que o processo tem registado progressos, embora persistam desafios.
Segundo disse, o Ministério das Relações Exteriores, em articulação com outros departamentos ministeriais e instituições nacionais, tem procurado identificar, preparar e apoiar candidatos angolanos interessados em integrar diferentes estruturas das Nações Unidas.
O trabalho inclui a divulgação regular de vagas, orientação dos candidatos, reforço das suas competências e preparação para os processos de recrutamento, que, segundo Téte António, são competitivos e obedecem a critérios próprios da Organização.
Apontou como áreas prioritárias a diplomacia, paz e segurança, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, economia, finanças, saúde, educação, tecnologia e gestão de projectos, com particular atenção ao domínio das línguas de trabalho da ONU, sobretudo o inglês e o francês.
Téte António sublinhou que a inserção de quadros angolanos nas Nações Unidas não deve ser vista apenas como uma questão de representatividade nacional, mas também como uma oportunidade para Angola contribuir para a formulação e implementação de políticas internacionais.
Ao mesmo tempo, acrescentou, a experiência adquirida pelos profissionais angolanos no sistema multilateral pode ser posteriormente aplicada ao desenvolvimento do país.
O ministro salientou que o acesso às Nações Unidas se processa com base no mérito, na qualificação e na experiência profissional, pelo que o Estado pode criar condições de informação, preparação e apoio institucional, mas cabe aos candidatos apresentar perfis competitivos e cumprir os requisitos exigidos.
O governante apontou ainda a necessidade de fortalecer a ligação entre as instituições de ensino superior, centros de formação e Administração Pública, com vista a preparar melhor os jovens angolanos para carreiras internacionais.
Neste sentido, considerou importantes os estágios, programas de jovens profissionais, missões de manutenção da paz e outras iniciativas das Nações Unidas como vias para a aquisição de experiência e acesso a futuras oportunidades.
Entre os principais desafios, Téte António mencionou o domínio de línguas estrangeiras, a experiência internacional, o acesso atempado à informação sobre concursos e a necessidade de uma preparação mais especializada.
O ministro afirmou que o propósito é garantir uma presença crescente de Angola no sistema das Nações Unidas, não apenas como Estado-membro, mas também através dos seus quadros, especialistas e diplomatas, com participação nos processos de decisão, operações de paz, programas de desenvolvimento e missões técnicas da Organização.
Considerou este processo um investimento estratégico na diplomacia e no capital humano nacional, por permitir projectar a imagem do país, defender os seus interesses e contribuir para um sistema multilateral mais representativo, inclusivo e eficaz.
Téte António recordou, a propósito, a presença de quadros angolanos em organizações africanas e do Sul Global, citando a antiga comissária da União Africana Josefa Sacko, actualmente candidata ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Mencionou igualmente o embaixador Gilberto Veríssimo, que presidiu à Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), bem como os embaixadores João Samuel Caholo e Georges Chikoti, que exerceram as funções de secretário-geral da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), respectivamente.
O ministro acrescentou que outros quadros angolanos integraram recentemente estruturas da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e de outras organizações regionais, incluindo o comissário da CEEAC, economista Oluimo Távora da Silva.
Para Téte António, estes exemplos mostram que a afirmação de Angola no espaço multilateral pode também traduzir-se numa maior presença de profissionais angolanos nas estruturas internacionais.
A 81.ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, oficialmente aberta no dia 8 deste mês, tem como tema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos", reflectido a pertinência do reforço da capacidade do sistema multilateral, para responder eficazmente aos desafios globais emergentes.
É presidida pelo embaixador Khalilur Rahman, representante permanente do Bangladesh junto das Nações Unidas, eleito em Junho deste ano com base no princípio da rotatividade geográfica entre os grupos regionais da ONU para um mandato de um ano, iniciado este mês.
A Assembleia Geral das Nações Unidas é o principal órgão deliberativo, representativo e normativo da ONU, e reúne os 193 Estados-Membros para debater as principais questões da agenda internacional e adoptar orientações políticas sobre matérias relacionadas com a manutenção da paz e segurança internacionais.