HOMENAGEM

Monumento às vítimas dos conflitos políticos inaugurado em Outubro

Futuro Memorial às Vitimas dos Conflitos Políticos em AngolaImagem: CIPRA

23/09/2026 09h52

Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, anunciou, esta terça-feira, em Nova Iorque, que o monumento em memória das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola da Independência Nacional até ao alcance da paz, em Abril de 2002, será inaugurado, em Outubro, em Luanda.

João Lourenço anunciou o facto, durante o seu discurso na octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que incluiu abordagens sobre o percurso histórico de Angola, a consolidação da paz e da reconciliação nacional e os 50 anos da admissão do país como membro da ONU.

Segundo João Lourenço, a consolidação da paz e reconciliação nacional constitui hoje um facto, evidenciados por gestos concretos, entre os quais a realização de cerimónias de condecoração dos principais líderes políticos da luta de libertação nacional e de membros representantes de todas as franjas da sociedade civil, no quadro dos 50 anos da Independência Nacional.

Disse que o monumento enquadra-se no processo de preservação da memória das vítimas dos conflitos políticos, que marcaram o país, desde a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, até ao alcance da paz, em Abril de 2002.

Recordou que a actual sessão da Assembleia Geral tem um significado especial para Angola, por decorrer no ano em que o país celebra o quinquagésimo aniversário da sua admissão como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas, ocorrida em Dezembro de 1976.

Sublinhou que a admissão de Angola constituiu uma conquista histórica para o povo angolano, que aguardou mais de 12 meses, depois de proclamada a Independência Nacional, até a aceitação do país como sujeito de pleno direito na organização internacional.

Realçou que a admissão ocorreu num contexto mundial, em que Angola se tornou vítima da confrontação entre as potências mundiais, na disputa pelo controlo de zonas de influência, no âmbito da guerra fria.

Salientou que todo o percurso do país até ao alcance da paz, em 2002, esteve fortemente ligado às disputas da época, que condicionaram a realização dos sonhos dos angolanos e dos seus projectos de construção de uma nação próspera e apostada no desenvolvimento.

“Estes factos pertencem ao passado, mas deixaram-nos um manancial de experiência e de ensinamentos de que nos temos servido para construir a paz, o entendimento e a reconciliação entre todos os angolanos e para traçar os rumos da nossa política externa”, afirmou.

João Lourenço sublinhou que as experiências acumuladas ao longo desse percurso têm servido para construir a paz, o entendimento e a reconciliação entre os angolanos e para traçar os rumos da política externa de Angola.

João Lourenço considera desastroso balanço das guerras no mundo

Na ocasião, o Presidente João Lourenço considerou desastroso o balanço das guerras no mundo, devido às consequências sobre a segurança alimentar, energética e humanitária e a ameaça de ruptura das cadeias de abastecimento.

No seu discurso, apontou o estrangulamento da liberdade de circulação marítima pelos estreitos de Ormuz e Bab-Al-Mandeb, como uma das consequências dos conflitos, situação que criou um sério risco de disrupção das cadeias de abastecimento logístico, alimentar e energético.

Segundo João Lourenço, os efeitos desta situação são devastadores para os países mais vulneráveis, enquanto a segurança alimentar, energética e humanitária dos países e do mundo em geral piorou consideravelmente, depois de eclodir as guerras contra a Ucrânia e, mais recentemente, contra o Irão.

O Presidente da República afirmou que a tentativa de dominação pela força das armas de países e regiões inteiras do globo tem conduzido o mundo para uma situação de catástrofe.

“Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial, em que o uso da força impera sobre a força da razão e da Lei, em flagrante oposição às normas que regem as relações internacionais”, enfatizou.

João Lourenço condenou igualmente o que classificou como genocídio contra populações indefesas, incluindo velhos, mulheres, crianças, doentes acamados, profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores de organizações humanitárias internacionais.

Salientou que muitas destas pessoas são privadas do acesso aos mais elementares direitos do ser humano e a bens essenciais à vida, como água, alimentos e medicamentos.

A expulsão dos palestinos das suas casas e terras, através da expansão dos colonatos judeus na Cisjordânia, deve, segundo João Lourenço, merecer “a mais viva repulsa e condenação internacional”.

O Presidente da República manifestou também preocupação com a subalternização e violação das regras que regem as relações internacionais, com prevalência, segundo afirmou, da lógica da força, da intimidação e da imposição de valores decorrentes da visão unilateral de alguns países na defesa dos seus exclusivos interesses.

Para João Lourenço, a instabilidade registada em várias regiões do planeta constitui consequência directa desta postura, como se observa nos conflitos que se desenrolam na Europa, no Médio-Oriente, no Golfo Pérsico e em África, enquanto cresce a tensão na região da Ásia-Pacífico.

Afirmou não vislumbrar sinais alentadores, quanto a probabilidade de se alcançar, nos próximos tempos, algum entendimento de paz nas guerras entre a Rússia e a Ucrânia, no conflito israelo-palestiniano no Médio-Oriente e no Golfo Pérsico.

Face a este quadro, João Lourenço defendeu a necessidade de uma profunda reflexão no seio das Nações Unidas, que considerou a única instituição do planeta com legitimidade e que alberga todas as nações do mundo, para encontrar as melhores soluções para o alcance da paz global.

“Nosso apelo vai no sentido de actuarmos com sabedoria e coragem para restaurar o papel central das Nações Unidas na sua responsabilidade e papel insubstituível de manutenção da paz mundial”, afirmou.

A octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, aberta a 08 deste mês, tem como tema "Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos".

É presidida pelo embaixador Khalilur Rahman, representante permanente do Bangladesh junto das Nações Unidas, eleito em Junho deste ano, com base no princípio da rotatividade geográfica entre os grupos regionais da ONU para um mandato de um ano, iniciado este mês.

A Assembleia Geral das Nações Unidas é o principal órgão deliberativo, representativo e normativo da ONU, e reúne os 193 Estados-Membros para debater as principais questões da agenda internacional e adoptar orientações políticas sobre matérias relacionadas com a manutenção da paz e segurança internacionais.

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