MULTILATERALISMO
Angola defende multilateralismo mais inclusivo
26/09/2026 13h37
Luanda - O ministro das Relações Exteriores, Téte António, defendeu, esta sexta-feira, em Nova Iorque, o reforço de um sistema multilateral mais inclusivo, representativo e eficaz, capaz de responder, de forma concreta, as prioridades e aspirações dos países em desenvolvimento.
Téte António participou na reunião anual dos Ministros das Relações Exteriores do Grupo dos 77 e China, realizada sobre o tema "O Sul Global e o Futuro do Multilateralismo".
Na ocasião, sublinhou que o actual contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas, desigualdades persistentes, vulnerabilidades associadas à dívida, alterações climáticas e disparidades no acesso à tecnologia, ao financiamento e aos mercados, exige uma acção concertada e uma maior solidariedade internacional.
O chefe da diplomacia angolana adiantou que, para Angola, o multilateralismo continua a ser indispensável, devendo a sua legitimidade assentar na participação efectiva de todos os Estados e a sua credibilidade na capacidade de transformar os compromissos internacionais em resultados concretos para os povos.
Defendeu uma governação económica e financeira internacional mais representativa, com maior participação dos países em desenvolvimento nos processos de tomada de decisão, bem como o reforço dos meios de implementação da Agenda de Desenvolvimento, através de financiamento adequado e previsível, transferência de tecnologia, desenvolvimento de capacidades e acesso mais equitativo aos mercados internacionais.
Téte António destacou igualmente o papel do Grupo dos 77 e China na articulação das posições dos países em desenvolvimento, e considerou que a unidade e a solidariedade do Grupo permitem transformar preocupações comuns em posições coordenadas e propostas concretas no quadro do sistema multilateral.
Reiterou a importância do reforço da cooperação Sul-Sul, enquanto complemento da cooperação Norte-Sul, e dos compromissos assumidos pelos países desenvolvidos em matéria de cooperação internacional para o desenvolvimento.
Durante a reunião, Téte António apresentou aos Estados-Membros do Grupo dos 77 e China a candidatura da angolana Josefa Sacko, ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), para o mandato 2027–2031.
A candidatura angolana conta com o endosso da União Africana e insere-se no esforço de promoção de uma maior representação dos países em desenvolvimento nos órgãos de liderança das instituições multilaterais.
Destacou a experiência da candidata nos domínios da agricultura, segurança alimentar, desenvolvimento rural, alterações climáticas e cooperação multilateral, e convidou os Estados-Membros do Grupo a conhecerem a sua visão e prioridades para o futuro da FAO.
Téte António reafirmou o compromisso de Angola em continuar a trabalhar, em defesa de um multilateralismo assente na solidariedade, equidade, cooperação, respeito pela soberania dos Estados e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, lê-se numa nota de imprensa dos Serviços de Imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas, em Nova Iorque.