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Presidente da República aponta prioridades para o novo ciclo da AUDA-NEPAD

Presidente da República e do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, discursa no encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD
Presidente da República e do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, discursa no encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 12h23 04/10/2026 - Actualizado às 12h23 04/10/2026

Luanda - O Presidente da República e do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço, afirmou, este sábado, em El Alamein (Egipto), que o próximo capítulo da instituição deve ser marcado por maior apropriação africana, eficácia institucional e execução orientada para resultados.

Ao discursar no encerramento da Cimeira dos Membros Fundadores da NEPAD, João Lourenço afirmou que os debates permitiram rever os 25 anos de percurso da organização e reflectir sobre o futuro da AUDA-NEPAD, à luz dos desafios que o continente enfrenta.

Sublinhou que a tarefa imediata consiste em transformar as orientações da cimeira em resultados tangíveis, que contribuam para a melhoria das condições de vida dos cidadãos.

Apontou como primeiro passo a necessidade de assegurar à AUDA-NEPAD os recursos, capacidades técnicas e condições institucionais necessárias ao cumprimento cabal do mandato que lhe foi confiado.

Segundo João Lourenço, a apropriação africana deve traduzir-se nas prioridades definidas e na disponibilidade efectiva dos Estados para apoiar as instituições responsáveis pela sua implementação, através de apoio político, técnico e financeiro.

Disse que, o segundo passo consiste em adequar os projectos a implementar à realidade dos Estados-Membros, uma vez que a eficácia da acção continental se mede pela capacidade de produzir resultados no terreno.

“A AUDA-NEPAD deve ser capaz de aproximar cada vez mais as prioridades continentais às necessidades concretas dos Estados-Membros”, afirmou, ao defender uma ligação mais forte entre a visão continental e a implementação nacional.

João Lourenço referiu que é junto das populações que as políticas e estratégias continentais ganham expressão concreta, através da implementação de projectos, realização de investimentos e construção de infra-estruturas, para que os cidadãos sintam os benefícios das decisões tomadas a nível continental.

O terceiro passo, que considerou o mais importante, prende-se com a execução efectiva dos compromissos resultantes da cimeira, enfatizando que "nenhuma declaração, por mais ambiciosa que seja, substitui o valor da implementação".

Afirmou que as deliberações da cimeira serão avaliadas pela capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis.

Defendeu que o Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo continue a assumir plenamente a responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, em articulação com os Estados-Membros, Comissão da União Africana, AUDA-NEPAD e Comunidades Económicas Regionais.

João Lourenço afirmou que, embora os desafios actuais de África sejam diferentes, em muitos aspectos, daqueles que estiveram na origem da NEPAD, continuam válidas a necessidade de liderança africana, determinação política e capacidade de definir e executar as próprias prioridades de desenvolvimento.

Manifestou a expectativa de que a cimeira marque o início de um envolvimento reforçado e regular dos membros fundadores e dos demais Estados-Membros, consolidando a dinâmica colectiva necessária para levar adiante a visão comum.

Eis na íntegra o discurso:

-Sua Excelência Évariste Ndayishimiye, Presidente da República do Burundi e Presidente em Exercício da União Africana;

-Sua Excelência Abdel Fattah El-Sisi, Presidente da República Árabe do Egipto e anfitrião da Cimeira dos Países Fundadores da NEPAD;

-Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo dos Países Fundadores da NEPAD;

-Sua Excelência Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana;

-Excelentíssima Senhora Nardos Bekele-Thomas, Diretora Executiva da AUDA-NEPAD;

-Ilustres Convidadas e Convidados;

-Minhas Senhoras, Meus Senhores;

Chegámos ao fim dos nossos trabalhos, depois de uma discussão particularmente importante e oportuna sobre os vinte e cinco anos de percurso da NEPAD e sobre o futuro da AUDA-NEPAD.

Os nossos debates permitiram-nos revisitar uma trajectória que marcou profundamente a evolução da agenda de desenvolvimento do nosso continente e, sobretudo, olhar para o futuro com sentido de responsabilidade e com a consciência clara dos desafios que temos pela frente.

As reflexões que partilhámos evidenciaram a dimensão desses desafios e confirmaram que, enquanto líderes africanos, temos perante a História uma responsabilidade que não podemos adiar.

Ouvimos a apresentação feita pela Directora Executiva sobre os progressos alcançados pela AUDA-NEPAD e sobre as reformas necessárias para torná-la mais capaz de cumprir a sua missão, bem como as nossas reflexões que sintetizaram a nossa experiência e visão, que continuam a constituir uma referência importante para o reposicionamento estratégico da Agência.

As nossas deliberações concluíram de forma inequívoca que o próximo capítulo da AUDANEPAD deve ser marcado por uma apropriação africana mais firme, por maior eficácia institucional e por uma cultura de execução orientada para resultados.

A tarefa que se impõe agora é a de transformar essa orientação em resultados tangíveis, que contribuam de forma objectiva para melhoria das condições de vida dos nossos cidadãos.

Para tal, o primeiro passo a dar consiste em assegurar que a AUDA-NEPAD disponha dos recursos, das capacidades técnicas e das condições institucionais necessárias para cumprir cabalmente o mandato que lhe foi confiado.

A apropriação africana deve, por isso, traduzir-se não apenas nas prioridades que definimos, mas também na nossa disponibilidade efectiva para apoiar as instituições responsáveis pela sua implementação.

É este compromisso traduzido em apoio político, técnico e financeiro que permitirá transformar decisões em resultados e garantir que a AUDANEPAD desempenhe o papel estratégico que lhe cabe, na arquitectura de desenvolvimento do continente.

O passo seguinte traz à evidência o facto de que devemos adequar o máximo possível os projectos a serem implementados à realidade dos Estados-Membros, pois a eficácia da acção continental mede-se, em última instância, pela sua capacidade de produzir resultados no terreno.

É ali junto das nossas populações que as políticas e estratégias continentais ganham expressão concreta, que os projectos são implementados, que os investimentos são realizados, que as infra-estruturas são construídas e que os cidadãos devem sentir os benefícios das decisões que tomamos a nível continental.

A AUDA-NEPAD deve ser capaz de aproximar cada vez mais as prioridades continentais às necessidades concretas dos Estados-Membros, estabelecendo uma ligação mais forte entre a visão continental e a implementação nacional.

O passo final e talvez o mais importante tem a ver com o facto de que os compromissos que resultarem desta Cimeira devem ser executados de forma efectiva.

Nenhuma declaração, por mais ambiciosa que seja, substitui o valor da implementação. A força das nossas decisões não estará apenas naquilo que decidirmos hoje, mas na capacidade que tivermos de assegurar que essas decisões sejam efectivamente cumpridas.

As deliberações desta Cimeira serão, por isso, avaliadas pela sua capacidade de reforçar a AUDA-NEPAD, melhorar a sua eficácia e produzir impactos concretos e mensuráveis.

O Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo deve continuar a assumir plenamente a sua responsabilidade de orientação política e supervisão estratégica, trabalhando de forma estreita com os Estados-Membros, com a Comissão da União Africana, com a AUDA-NEPAD e com as Comunidades Económicas Regionais, para assegurar que as orientações emanadas desta Cimeira sejam traduzidas em acções concretas com responsabilidades claras, acompanhamento regular e resultados verificáveis.

-Excelências,

-Minhas Senhoras, Meus Senhores

Os desafios que África enfrenta hoje são diferentes, em muitos aspectos, daqueles que estiveram na origem da NEPAD, mas a necessidade de liderança africana de determinação política e de capacidade de definir e executar as nossas próprias prioridades de desenvolvimento, continuarão sempre válidas.

Por isso espero que esta Cimeira marque o início de um envolvimento reforçado e regular por parte dos Membros Fundadores e dos demais EstadosMembros, consolidando a dinâmica colectiva necessária para levar adiante a visão que nos une.

Faço votos de que El Alamein se afirme como símbolo de um novo ciclo de ambição continental e que saiamos daqui com um compromisso firme e revitalizado em prol do fortalecimento da construção de uma África mais integrada, mais próspera e mais soberana.

Muito Obrigado pela Vossa atenção!

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