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João Lourenço defende nova arquitectura de segurança alimentar

Presidente da República, João Lourenço, discursa na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2026, promovido pela FAO
Presidente da República, João Lourenço, discursa na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2026, promovido pela FAO Imagens: CIPRA

Redacção

Publicado às 17h14 12/10/2026

Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, esta segunda-feira, em Roma (Itália), uma nova arquitectura de segurança alimentar mundial, baseada na cooperação internacional, transferência de tecnologias e investimento agrícola nos países menos desenvolvidos.

Ao discursar na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2026, promovido pela FAO, o João Lourenço manifestou preocupação com os paradoxos do mundo actual, sobretudo o contraste entre a abundância de alimentos nos países desenvolvidos e as dificuldades de acesso à alimentação que afectam milhões de pessoas em vastas regiões do planeta.

Considerou que esta realidade exige uma atitude colectiva capaz de pôr fim à fome e à má nutrição, por meio de iniciativas concretas que vão da capacitação técnica à transferência de tecnologias, bem como a mobilização de recursos para o investimento no sector agrícola dos países menos desenvolvidos.

O Presidente da República apontou os conflitos armados e as alterações climáticas como alguns dos factores que agravam a insegurança alimentar, devido aos seus efeitos sobre a produção agrícola, as cadeias logísticas globais de abastecimento e as condições humanitárias das populações afectadas.

Referiu que as alterações climáticas se manifestam através de tempestades, chuvas torrenciais, cheias, inundações, secas severas, desertificação e aumento das pragas, fenómenos que comprometem a produção agrícola e agravam os problemas de fome e desnutrição.

Para o estadista angolano, a segurança alimentar constitui um objectivo e uma prioridade, cuja concretização exige um esforço conjunto dos governos, sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais, sociedade civil e outras entidades, em função das responsabilidades e capacidades específicas de cada uma.

João Lourenço defendeu, igualmente, o aperfeiçoamento do modelo de cooperação internacional, que deve abandonar a lógica de dominação de uns sobre os outros e a obtenção de vantagens à margem dos interesses de terceiros.

Segundo o Presidente da República, estas práticas geram tensões e dificultam o diálogo e a concertação necessários à formulação e implementação de estratégias para garantir a paz, estabilidade e segurança mundial.

Considerou que, num ambiente de paz e estabilidade, será mais fácil promover e desenvolver novas economias, bem como acabar ou reduzir consideravelmente a fome e a miséria em diferentes países e regiões do planeta.

João Lourenço afirmou que a erradicação da fome exige respostas colectivas e considerou o Fórum Mundial da Alimentação uma plataforma adequada para a reflexão sobre uma arquitectura de segurança alimentar que tenha em conta os factores políticos, financeiros, técnicos, científicos e outros que influenciam a capacidade de produção agrícola e o seu melhoramento em todo o mundo.

Neste contexto, sublinhou que a inovação deve ser entendida de forma abrangente, e não ficar circunscrita apenas à dimensão tecnológica.

Ao abordar a realidade africana, João Lourenço afirmou que o continente dispõe de um vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente, mas continua confrontado com a fome e a desnutrição, situação que considerou inaceitável.

O fórum, que decorre até 16 do corrente mês, sob o lema "Inovar hoje para alimentar amanhã", reúne representantes governamentais, investigadores, produtores agrícolas, jovens, investidores e parceiros internacionais para debater soluções destinadas a reforçar a segurança alimentar e promover sistemas de produção mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.

A agenda do fórum contempla três eixos principais, nomeadamente a acção global da juventude e os fóruns de ciência e inovação e de investimento da iniciativa "Mão na Mão", com actividades destinadas a promover parcerias, mobilizar recursos e acelerar a transformação da agricultura.

Os trabalhos incluem debates de alto nível, consultas, laboratórios de inovação, apresentação de projectos, encontros entre parceiros e exposições sobre soluções para os desafios dos sistemas agroalimentares, noticiou a Angop.

Entre os temas em análise figuram o aumento da produtividade agrícola, o acesso à inovação científica e tecnológica, o financiamento da investigação, a adaptação às alterações climáticas e a utilização responsável dos dados e da inteligência artificial na agricultura.

O programa prevê igualmente iniciativas voltadas para a participação dos jovens, o desenvolvimento de soluções inovadoras e o reforço da cooperação entre governos, instituições científicas, organizações de produtores e sector privado.

O Fórum Mundial da Alimentação constitui uma plataforma internacional de diálogo e cooperação destinada a mobilizar conhecimentos, investimentos e parcerias para acelerar o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, com particular incidência no combate à fome e na melhoria da nutrição.

Criada a 16 de Outubro de 1945, a FAO tem sede em Roma, Itália, e é uma agência especializada das Nações Unidas responsável por liderar os esforços internacionais de combate à fome e de promoção da nutrição e da segurança alimentar.

A organização presta assistência técnica aos países, apoia a formulação de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento agrícola e rural e promove a gestão sustentável dos recursos naturais, com particular atenção aos pequenos produtores e às comunidades mais vulneráveis.

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