Namíbia considera Refinaria do Lobito estratégica para valorizar recursos
Luanda – A Presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, considerou, esta segunda-feira, em Luanda, a futura Refinaria do Lobito um exemplo da valorização dos recursos naturais africanos, ao defender o aumento da transformação local das matérias-primas para gerar empregos e impulsionar a industrialização.
Em declarações à imprensa, após a assinatura de oito instrumentos jurídicos de cooperação entre Angola e Namíbia, a estadista, que efectua uma visita de Estado a Angola de três dias, afirmou que a exportação de petróleo bruto representa também a transferência de oportunidades de emprego para outros países.
Destacou a importância da cooperação bilateral nos sectores da energia e das águas, que considerou fundamentais para concretizar as prioridades de desenvolvimento dos dois países e contribuir para a realização da Agenda 2063 da União Africana.
Segundo Netumbo Nandi-Ndaitwah, o acesso a energia e a água é indispensável para o desenvolvimento da agricultura, educação, saúde, desporto, habitação, infra-estruturas e logística.
Salientou que Angola e Namíbia pretendem alinhar as respectivas agendas nacionais de desenvolvimento com os objectivos continentais de industrialização, através de projectos nacionais e regionais que reforcem a integração económica africana.
No domínio dos investimentos, apelou ao envolvimento do sector privado na transformação dos recursos naturais e na criação de valor acrescentado, cabendo aos governos assegurar condições favoráveis à actividade empresarial.
Sobre a indústria petrolífera, recordou que a Namíbia começou a desenvolver a sua legislação para o sector desde os primeiros anos da independência, numa altura em que a existência de petróleo no país ainda era uma expectativa.
Com as descobertas de petróleo, Angola tornou-se uma referência para a Namíbia, que procura beneficiar da experiência angolana nos domínios da pesquisa, produção e transformação de hidrocarbonetos.
Por outro lado, Netumbo Nandi-Ndaitwah considerou a Comissão Bi-Nacional um roteiro para a cooperação entre os dois países e apelou aos ministros e responsáveis das instituições envolvidas para assegurarem a execução integral e atempada dos acordos assinados.
A estadista referiu igualmente que é essencial que os cidadãos dos dois países conheçam os programas de cooperação, de modo a compreenderem a sua importância e apoiarem a implementação das iniciativas acordadas.
As relações político-diplomáticas entre Angola e a Namíbia foram formalizadas a 18 de Setembro de 1990.
Desde então, os dois países consolidaram laços de amizade e cooperação em vários domínios, com destaque para a energia, a defesa e segurança, os transportes, os recursos naturais e a integração regional.
A futura Refinaria do Lobito, na província de Benguela, está projectada para uma capacidade de 200 mil barris de petróleo por dia, para produzir gasóleo, nafta, gás de petróleo liquefeito e gasolina.
Angola convida Namíbia a investir na Refinaria do Lobito
Por seu lado, o Presidente João Lourenço convidou, esta segunda-feira, a Namíbia a integrar a estrutura accionista da futura Refinaria do Lobito, no quadro do reforço da cooperação económica entre os dois países.
Em declarações à imprensa, após a assinatura de acordos de cooperação entre Angola e Namíbia, João Lourenço apontou os sectores da energia, águas, petróleo e investimento privado como áreas prioritárias para o aprofundamento das relações bilaterais.
Considerou necessário aumentar a comercialização de derivados do petróleo, como gasolina, gasóleo e outros produtos resultantes da refinação.
Disse que a estratégia enquadra-se nos esforços para ampliar a capacidade de transformação de matérias-primas, gerar maior valor acrescentado e responder às necessidades do mercado interno e dos países da região.
João Lourenço manifestou igualmente a intenção de partilhar a capacidade de produção energética de Angola com os países da África Austral, nomeadamente Namíbia, África do Sul, Botswana e Zimbabwe, no quadro da integração das infra-estruturas regionais.
O Presidente angolano considerou que a cooperação energética permitirá aproveitar as capacidades existentes nos diferentes países, sem que cada Estado tenha de desenvolver, isoladamente, todas as infra-estruturas necessárias ao seu crescimento económico.
No domínio das águas, João Lourenço manifestou disponibilidade para partilhar com a Namíbia a experiência de Angola na construção de barragens de armazenamento e canais de distribuição, destinados ao abastecimento das populações, do gado e da agricultura.
No sector petrolífero, João Lourenço referiu que Angola partilha com a Namíbia a experiência acumulada nas áreas da pesquisa, produção e comercialização de petróleo, numa altura em que o país vizinho se prepara para iniciar a exploração comercial dos seus recursos.
O Presidente angolano convidou também os empresários namibianos a investirem em Angola, através da instalação de unidades de produção de bens de consumo, e manifestou interesse em ver investidores angolanos desenvolverem actividades semelhantes na Namíbia.