INTELIGêNCIA ARTIFICIAL

Durão Barroso reconhece potencial de Angola e confiança na sua economia

Antigo Primeiro-Ministro de Portugal e antigo Presidente da Comissão Europeia, Durão BarrosoImagem: MIREX

09/10/2026 04h55

Luanda - O antigo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, reiterou, esta quinta-feira, em Luanda, a sua confiança no desempenho positivo da economia angolana, face aos desafios do actual cenário da geopolítica internacional, em virtude das reformas em curso e o potencial dos recursos humanos e energéticos.

Em declarações à imprensa, no final do seminário "Pensar fora de Caixa", promovido pelo Banco Caixa Geral Angola, o também antigo Primeiro-Ministro português, afirmou que Angola e Portugal podem desempenhar um papel crucial para que os países lusófonos reforcem os mecanismos tendentes a sua integração económica, política e cultural.

Defendeu que os dois países o desempenho dos dois países pode ajudar a reforçar o aproveitamento racional dos recursos humanos, as tecnologias digitais com incidência na Inteligência Artificial, entre outras valências que contribuam a dar um salto qualitativo, em termos de estabilidade económica e social.

O seminário juntou especialistas do sector bancário, economistas e representantes do Executivo para efectuar uma abordagem sobre os princípios indicadores da macro-economia internacional e o impacto no mercado nacional.

Durão Barroso apontou a Inteligência Artificial como uma oportunidade para acelerar o desenvolvimento socio-económico de África, sublinhando que a mesmas, quando bem utilizada, pode dar "um salto nas diferentes etapas de desenvolvimento" do continente.

Disse que a tecnologia pode levar conhecimento às zonas mais remotas onde não existem professores e ajudar na cobertura vacinal nos países africanos.

O antigo Primeiro-ministro de Portugal (2002 a 2004) reconheceu o potencial de Angola, sobretudo no domínio energético, cujo aproveitamento para a economia nacional passa pela contínua manutenção da paz e estabilidade social.

Mais do que apostar nos recursos naturais, segundo Durão Barroso, é necessário mais investimentos nos talentos locais para estarem à altura dos desafios do país.

Durão Barroso citou a competição entre as grandes potências mundiais, transição climática, revolução científica e tecnológica, a par das questões energéticas e conflitos militares como os principais desafios geopolíticos que criam um clima de ansiedade a nível mundial.

Adiantou que os riscos começam a ter implicações económicas sem precedentes, influenciando o aumento da inflação e da dívida pública dos países.

“São questões que pesam e criam maior incerteza sobre a economia global, temos de estar conscientes de que estamos num momento de transição, num ponto de inflexão e é necessário estarmos mais preparados”, vincou.

Diante disso, apelou à prudência e sabedoria política dos Estados para lidarem com momentos difíceis, investindo na resiliência das economias e das empresas.

Questionado sobre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reconheceu que a organização está estruturalmente melhor, com os países em paz e a crescer, embora a ritmos diferenciados.

Numa altura de fragmentação e polarização, Durão Barroso indicou que a comunidade pode se afirmar como exemplo de unidade.

O encontro “Fora da Caixa”, que abordou temas relacionados com as transformações económicas, empresariais e a situação geopolítica mundial, reuniu responsáveis de empresas públicas e privadas, diplomatas e agentes culturais.

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