NEGóCIOS
Fórum de negócios reforça relações África-Portugal
11/10/2026 13h47
Luanda - A embaixadora de Angola em Portugal, Maria de Jesus Ferreira, representou o Presidente João Lourenço no 4.º Fórum de Negócios África-Portugal, realizado durante dois dias em Leça da Palmeira, nos arredores da cidade do Porto.
Organizado pela Associação Empresarial de Portugal, em parceria com o FOGECA (Forum des Opérateurs pour la Garantie de l’Émergence), o evento reuniu representantes de diversos países africanos, sobretudo da África Ocidental, e incluiu painéis de debate, sessões de networking e uma visita às instalações da empresa portuguesa Mota-Engil.
Na sua intervenção, segundo o JA Online, a diplomata destacou a importância do encontro para o aprofundamento do diálogo económico entre África e Portugal, bem como para a identificação de parcerias capazes de impulsionar o investimento, a criação de emprego e o desenvolvimento.
Maria de Jesus reiterou a posição do Presidente João Lourenço sobre a necessidade de assegurar a coerência da arquitectura institucional continental, defendendo uma actuação complementar entre a Comissão da União Africana, a Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), as Comunidades Económicas Regionais e os Estados-membros em torno dos objectivos comuns de desenvolvimento do continente.
Segundo a embaixadora, esta articulação deve traduzir-se numa maior coordenação das prioridades continentais, dos programas regionais e das políticas nacionais, criando condições favoráveis à preparação de projectos, à mobilização de financiamento e à concretização de investimentos.
Salientou que a Agenda 2063 e a Zona de Comércio Livre Continental Africana constituem instrumentos fundamentais para aprofundar a integração económica, aproximar mercados e ampliar as oportunidades de produção e comércio.
Ressalvou, contudo, que a concretização destes objectivos depende do reforço das infra-estruturas, da capacidade produtiva e da cooperação entre os países africanos.
Neste contexto, defendeu que a integração económica deve produzir resultados concretos para as empresas, os produtores e os jovens, nomeadamente através do acesso a novos mercados, do desenvolvimento da logística, da qualificação profissional e da criação de emprego.
Maria de Jesus destacou igualmente a importância de articular os investimentos industriais, agrícolas e infra-estruturais com soluções de energia, transporte, transformação de produtos e formação de quadros, de modo a garantir benefícios económicos e sociais duradouros.
Ao recordar o discurso proferido pelo Presidente João Lourenço na abertura da 39.ª Sessão Ordinária da Conferência da União Africana, realizada em Adis Abeba, a 14 de Fevereiro, sublinhou a necessidade de reforçar a ligação entre as estratégias nacionais, regionais e continentais, bem como de desenvolver infra-estruturas capazes de aproximar os povos e os mercados africanos.
Como exemplo desta orientação, apontou o Corredor do Lobito, cuja importância estratégica poderá impulsionar oportunidades de investimento nos sectores da logística, produção, transformação e prestação de serviços, promovendo relações económicas duradouras entre os países abrangidos.
No domínio da cooperação entre África e Portugal, a diplomata incentivou as empresas dos dois espaços a estabelecer parcerias que combinem conhecimento dos mercados, capacidade técnica, financiamento e iniciativa empresarial.
Defendeu, igualmente, projectos que valorizem a produção local, integrem fornecedores africanos, desenvolvam competências e reforcem a participação das economias africanas nas cadeias de valor.
As Infra-estruturas, a Energia, a Agricultura, a Indústria, a Logística e a Transformação Digital foram identificadas como áreas com potencial para aprofundar esta cooperação, cabendo aos encontros empresariais transformar o interesse dos participantes em propostas concretas, com responsabilidades definidas e condições de execução devidamente avaliadas.
Salientou ainda que o financiamento e o reforço da capacidade africana para definir prioridades, preparar projectos e mobilizar recursos são fundamentais para a implementação das iniciativas de desenvolvimento. Neste sentido, destacou a importância da participação dos próprios países africanos na sustentabilidade das instituições continentais e na cooperação com parceiros internacionais, numa perspectiva de benefício mútuo.
Ao concluir, reafirmou o compromisso de Angola com o aprofundamento da cooperação económica entre África e Portugal, apelando aos empresários e investidores para aproveitarem o fórum como uma oportunidade de aproximação de capacidades, estruturação de projectos e estabelecimento de compromissos concretos.