INVESTIMENTOS
Josefa Sacko propõe carteira de investimentos agroalimentares de USD 10 mil milhões para a FAO
12/10/2026 11h44
Roma – A candidata angolana ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Josefa Sacko, propôs a criação de uma carteira global de investimentos agroalimentares de 10 mil milhões de dólares norte-americanos, no âmbito da sua visão para a renovação da organização e o combate à fome.
Ao apresentar as linhas centrais da sua candidatura, em Roma, Itália, a diplomata defendeu a mobilização de investimentos, o reforço da cooperação internacional e a utilização da ciência, da inovação e da inteligência artificial para melhorar a produtividade agrícola, a segurança alimentar e a capacidade de resposta dos países aos riscos climáticos.
A candidata angolana, que conta com o endosso da União Africana, pretende igualmente estabelecer 50 pactos voluntários para países livres da fome, nos primeiros 24 meses de mandato, caso seja eleita, prevendo que pelo menos 60 por cento desses compromissos incluam metas explícitas de resiliência climática.
Segundo Josefa Sacko, citada pela Angop, a iniciativa deverá assentar em resultados definidos pelos próprios países, numa carteira integrada de investimentos e numa divisão clara de responsabilidades entre a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e os parceiros de desenvolvimento.
A proposta de uma Plataforma Global de Preparação de Investimentos Agroalimentares, baseada na iniciativa Mão na Mão (Hand-in-Hand) da FAO, visa transformar os planos nacionais em programas estruturados e capazes de atrair financiamento, tendo como meta uma carteira de projectos avaliada em 10 mil milhões de dólares durante o primeiro mandato.
Renovação e proximidade aos países
Na sua visão para a organização, Josefa Sacko defendeu uma FAO tecnicamente independente, mais ágil e próxima dos Estados-Membros, com capacidade para transformar compromissos internacionais em resultados concretos para as populações.
A candidata propôs ainda o reforço dos escritórios regionais, sub-regionais e nacionais, através da atribuição de maior autoridade, recursos e pessoal qualificado, de modo a permitir a resolução dos problemas directamente nos países.
No plano da gestão institucional, anunciou a intenção de implementar um Pacto de Renovação para os primeiros 100 dias, a ser elaborado em conjunto com os Estados-Membros, a direcção e os funcionários da organização, com vista à eliminação de obstáculos ao seu funcionamento.
Acrescentou que todos os programas deverão incluir uma avaliação do impacto sobre a juventude, as mulheres e as competências necessárias para o futuro, acompanhada de mecanismos públicos de monitorização dos resultados.
Ciência, tecnologia e financiamento
A engenheira agrónoma considerou igualmente prioritário reforçar o papel da FAO como fonte independente de referência em ciência, estatísticas e normas internacionais, incluindo nos domínios da segurança alimentar e dos riscos climáticos.
Para esse efeito, propôs a criação de uma plataforma comum de inteligência artificial e dados agroalimentares, segura, multilingue e sob governação dos países, destinada a apoiar os sistemas de alerta precoce, o aconselhamento agrícola e o planeamento de investimentos.
A candidata defendeu que a tecnologia deve servir para capacitar as pessoas e melhorar a tomada de decisões, sem substituir a intervenção humana.
Relativamente ao financiamento, reconheceu que a redução da ajuda ao desenvolvimento, num contexto de necessidades crescentes, exige novas formas de mobilização de recursos e maior eficiência na sua utilização.
Entre as medidas propostas constam o reforço da mobilização de recursos internos, o alinhamento dos orçamentos nacionais e dos bancos públicos de desenvolvimento com as prioridades de combate à fome, bem como a diversificação das fontes de financiamento através da cooperação Sul-Sul e triangular e de parcerias transparentes com o sector privado.
África e o combate à fome
Josefa Sacko afirmou que apresenta uma candidatura africana ao serviço de todos os Estados-Membros da FAO, defendendo uma abordagem baseada na equidade, na responsabilidade partilhada e na cooperação entre as diferentes regiões do mundo.
A diplomata destacou a contribuição de África para as soluções globais, através da experiência, da inovação e da capacidade de resiliência do continente, defendendo igualmente uma maior participação das mulheres e dos jovens na transformação dos sistemas agroalimentares.
Na sua intervenção, considerou que as mulheres e os jovens devem ser reconhecidos não apenas como beneficiários das políticas de desenvolvimento, mas também como produtores, empresários, cientistas e líderes.
A candidata concluiu com um apelo à confiança dos Estados-Membros numa FAO renovada, mais próxima dos países e com financiamento sustentável a longo prazo, capaz de promover uma melhor produção, nutrição, ambiente e qualidade de vida.
A eleição do próximo director-geral da FAO está prevista para Julho de 2027, em Roma, para um mandato de 2027 a 2031. A escolha caberá aos Estados-Membros da organização.