AGRICULTURA
Josefa Sacko uma carreira dedicada à agricultura
12/10/2026 12h31
Roma – A diplomata e engenheira agrónoma angolana Josefa Sacko, candidata ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), para o mandato de 2027 a 2031, possui um percurso profissional ligado à agricultura, ao desenvolvimento rural, à segurança alimentar e cooperação internacional.
Com o endosso da União Africana (UA), a sua candidatura de Josefa Sacko representa a aposta de Angola numa figura com experiência em instituições nacionais, continentais e internacionais, numa altura em que a transformação dos sistemas agroalimentares, o combate à fome e a adaptação às alterações climáticas constituem desafios centrais da agenda internacional.
Actualmente embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em Itália e representante permanente junto das agências das Nações Unidas sediadas em Roma, desempenhou anteriormente as funções de comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável.
A eleição do próximo director-geral da FAO está prevista para Julho de 2027, em Roma, cabendo aos Estados-Membros da organização a escolha do sucessor para o mandato de 2027 a 2031.
Formação académica
Josefa Sacko licenciou-se em 1982, com distinção, em Ciências Agrárias pela Universidade de Ifé, actualmente Universidade Obafemi Awolowo, na Nigéria, tendo sido, segundo a sua biografia institucional, a única mulher a concluir o curso de Agronomia naquele ano.
A sua formação foi complementada com estudos de pós-graduação em Gestão de Projectos, na Universidade de Cocody-Abidjan, Côte d'Ivoire, e formação nas áreas de Gestão Pública e de Desenvolvimento, Comércio Internacional e Relações Internacionais, incluindo estudos na Universidade de Westminster, em Londres, e no Ghana, em 2010.
Percurso profissional
Entre 2000 e 2013, Josefa Sacko exerceu o cargo de secretária-geral da Organização Interafricana do Café, com sede em Abidjan, na Côte d’Ivoire, onde trabalhou na promoção dos interesses dos países africanos produtores, na valorização da produção e no reforço da qualidade do café do continente.
Em Angola, desempenhou funções de direcção e assessoria em matérias ligadas ao desenvolvimento agrário, à segurança alimentar, à nutrição e à redução da pobreza, tendo passado pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), em 2016.
O seu percurso profissional ganhou dimensão continental em 2017, quando foi eleita comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, funções que exerceu até 2024.
Nesse período, participou na promoção de políticas e iniciativas continentais orientadas para a transformação agrícola, o desenvolvimento rural, a sustentabilidade ambiental e o reforço da capacidade de resposta de África aos efeitos das alterações climáticas.
Em Março de 2025, foi nomeada embaixadora de Angola em Itália, passando também a representar o país junto das agências das Nações Unidas com sede em Roma, nomeadamente a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Alimentar Mundial (PAM).
Experiência internacional e reconhecimento
A experiência de Josefa Sacko inclui a participação em iniciativas internacionais sobre alterações climáticas, com destaque para as conferências das Nações Unidas COP21, realizada em Paris, França, em 2015, e COP22, em Marraquexe, Marrocos, em 2016.
Em 2018, passou a integrar a iniciativa Champions 12.3, ligada aos esforços internacionais para reduzir as perdas e o desperdício alimentar. No ano seguinte, foi incluída pela publicação New African na lista das 100 africanas mais influentes.
O seu percurso profissional tem sido marcado pela participação em iniciativas de cooperação e desenvolvimento, com particular incidência nos sectores agrícola e alimentar, áreas consideradas estratégicas para o crescimento económico, a criação de emprego e a redução da pobreza em África.
Prioridades para a FAO
No quadro da candidatura à liderança da FAO, Josefa Sacko tem defendido o reforço da presença da organização nos diferentes países e regiões, através da descentralização das suas estruturas e da aproximação da assistência técnica às necessidades concretas dos Estados-Membros.
Entre as prioridades apontadas figuram igualmente o aumento da produtividade agrícola, o combate à fome e à malnutrição e o reforço da capacidade dos países para transformar o potencial agrícola em produção, rendimento e desenvolvimento sustentável.
A candidatura assenta, assim, na experiência acumulada pela diplomata nos domínios da agricultura, do desenvolvimento rural e da cooperação multilateral, procurando mobilizar o apoio dos Estados-Membros para a eleição ao cargo de directora-geral da FAO.
A escolha do próximo responsável máximo da organização será feita pelos Estados-Membros, num processo em que Angola conta com o endosso da União Africana e procura alargar o diálogo e a mobilização de apoios às diferentes regiões do mundo.