DIPLOMACIA
João Lourenço destaca papel de Angola na mediação de conflitos e promoção da paz
16/10/2026 10h40
Luanda - O Presidente da República, João Lourenço, destacou, esta quinta-feira, em Luanda, o papel de Angola na mediação de conflitos e na promoção do diálogo e da reconciliação e sublinhou o reforço da presença diplomática do país nos cenários regional e internacional.
Ao dirigir a Mensagem sobre o Estado da Nação, na sessão plenária de abertura da quinta e última sessão legislativa da quinta Legislatura, João Lourenço salientou o envolvimento de Angola nos esforços de pacificação do Leste da República Democrática do Congo, da República Centro-Africana, do Sudão e do Sudão do Sul, em coordenação com a União Africana.
No plano diplomático, João Lourenço realçou a realização, em Luanda, da Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, em Julho do corrente ano, que culminou na aprovação da Declaração Conjunta de Luanda, que reafirma o compromisso com a paz, diálogo, reconciliação e respeito pelo Direito Internacional.
O Presidente da República destacou ainda a realização do segundo Fórum Internacional da Mulher para a Paz e a Democracia e os preparativos para a quarta edição da Bienal de Luanda para a Cultura de Paz e Não-Violência.
No domínio económico, referiu a Cimeira de Negócios Estados Unidos-África, realizada em Luanda, em Junho de 2025, que confirmou garantias financeiras de cinco mil milhões de dólares para projectos ligados ao Corredor do Lobito.
João Lourenço reafirmou que a política externa angolana continuará orientada para a defesa da soberania nacional, o respeito pela Carta das Nações Unidas e pelo Direito Internacional, o fortalecimento da cooperação multilateral e a promoção de soluções pacíficas para os conflitos, visando consolidar a posição de Angola nos mecanismos regionais e internacionais de diálogo e segurança.
Na ocasião, destacou o posicionamento de Angola na octogésima primeira sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, a 22 de Setembro último, em defesa do fim do embargo imposto a Cuba.
Referiu que Angola defendeu igualmente, na altura, soluções diplomáticas para os conflitos no Leste da RDC, na região dos Grandes Lagos, na Europa, Médio Oriente, Golfo Pérsico e em outras partes do mundo.
Reiterou que o país tem defendido o multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a paz, o Direito Internacional, a justiça reparatória para os africanos e afrodescendentes pelas consequências da escravatura e a solidariedade para com os povos oprimidos.
Segundo João Lourenço, esta postura contribuiu para o reconhecimento de Angola como um dos principais mediadores africanos, reforçado pela sua designação como “Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação”.
Disse que Angola tem aumentado a sua influência política em África e no mundo, através da facilitação do diálogo, mediação de conflitos e defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.
Destacou a visita do antigo Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, bem como a presença de Chefes de Estado e de Governo de África, Europa, Ásia, América e Médio Oriente, e salientou a do Papa Leão XIV, pelo seu significado religioso e simbólico.
Na sua mensagem, João Lourenço destacou ainda o facto de Angola ter assumido, em 2025, a presidência “pro tempore” da União Africana, cujo mandato priorizou a crise no Leste da RDC, tendo o país sido convidado, pelo Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, a participar na cerimónia de assinatura do Acordo de Washington entre a RDC e o Rwanda, em Dezembro de 2025.
Mereceu igualmente destaque a sétima Cimeira União Africana-União Europeia, realizada em Luanda, em Novembro de 2025, que aprovou uma Declaração Conjunta a reafirmar o compromisso com a Agenda 2063 da União Africana, a Visão Conjunta 2030, o multilateralismo e a cooperação nos domínios da paz e segurança, comércio, investimento, transformação digital, clima, migração, educação e juventude.
João Lourenço destacou, igualmente, a sua participação, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, nas Cimeiras da Liga Árabe, no Egipto, da Aliança Global para Vacinas (GAVI), em Bruxelas, e do G20, no Rio de Janeiro e em Joanesburgo.
A realização, em Luanda, em Julho do corrente ano, do segundo Fórum Internacional da Mulher para a Paz e a Democracia foi também apontada como um marco da diplomacia angolana, encontro que abordou a valorização do papel das mulheres na prevenção de conflitos, consolidação da paz e fortalecimento das instituições democráticas.