ÁGUA

Ministro angolano realça partilha de recursos hídricos entre países africanos

Altas entidades que prestigiaram a abertura da quarta edição da Bienal de LuandaImagem: CIPRA

23/10/2026 11h58

Luanda - O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, realçou, esta quinta-feira, em Luanda, a necessidade de partilha de recursos hídricos entre os países africanos para atender as necessidades das populações e promover a equidade e o desenvolvimento dos Estados.

Ao intervir no painel sobre "Água, Paz e Cooperação Transfronteiriça: Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos através da Diplomacia da Água, da Integração Regional e de uma Cultura de Paz", no quadro da quarta edição da Bienal de Luanda, João Baptista Borges considerou ser a estratégia crucial para satisfazer o défice existente em África no abastecimento de água.

Recordou que o continente africano tem, actualmente, o desafio de garantir acesso à água potável a mais de 400 milhões de habitantes que ainda não beneficiam do produto.

Sublinhou que 90 por cento dos recursos hídricos que África possui são partilhados, e deu a conhecer que Angola está integrada em cinco comissões de gestão de bacias internacionais, nomeadamente as dos rios Congo, Cunene, Okavango, Cuvelai e Zambeze.

No âmbito da integração regional e dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, destacou a experiência de Angola com a Namíbia e com o Botswana na partilha de recursos hídricos, no âmbito do Protocolo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Destacou igualmente a extensão do Canal do Cafu, na província do Cunene, que poderá beneficiar populações da Namíbia.

De igual modo, mencionou a partilha de mecanismos de antecipação de cheias e monitorização de caudais com países vizinhos, visando a promoção da paz e estabilidade regional e continental.

A Bienal de Luanda, aberta pelo Presidente da República, João Lourenço, decorre, durante dois dias, sob o lema "Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos".

O evento é uma iniciativa do Governo angolano, União Africana (UA) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), visando promover a cultura de paz e a cooperação na gestão sustentável dos recursos hídricos.

No primeiro dia, foi realizado, a par do painel a diplomacia da água, um diálogo inter-geracional de alto nível sobre governação inclusiva, com participação de Chefes de Estado e de Governo, jovens líderes africanos e representantes da diáspora.

Esta sexta-feira, os trabalhos prosseguem com painéis sobre a participação comunitária na governação da água, os direitos humanos, as alterações climáticas, migração, resiliência climática e os investimentos em infra-estruturas hídricas e formação de capital humano.

A programação contempla ainda a análise de mecanismos de financiamento e de parcerias público-privadas para ampliar o acesso à água e ao saneamento, considerados factores essenciais para a saúde pública, segurança alimentar e estabilidade das comunidades.

A quarta edição termina com a adopção da Declaração da Bienal de Luanda 2026 e de um comunicado final da União Africana, UNESCO e Governo angolano.

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