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Angola apela ao financiamento previsível para operações de manutenção da paz

Representante Permanente de Angola junto da ONU, embaixador Francisco José da Cruz
Representante Permanente de Angola junto da ONU, embaixador Francisco José da Cruz Imagens: Cedida

Rui Vasco

Publicado às 12h25 06/11/2026 - Actualizado às 12h26 06/11/2026

Luanda - O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, apelou, esta quinta-feira, em Nova Iorque, em nome do seu país para uma definição de mandatos claros e realistas para as operações de paz da ONU, com recursos adequados e financiamento previsível.

Ao intervir no debate da Quarta Comissão da Assembleia Geral da ONU dedicado a revisão abrangente das operações de manutenção da paz em todos os seus aspectos, destacou a sua importância em África, onde os conflitos, terrorismo, crime organizado transnacional, exploração ilícita de recursos naturais e fluxos transfronteiriços de armas comprometem a estabilidade e o desenvolvimento.

Perante estes desafios, salientou a necessidade de estratégias políticas coerentes, instituições nacionais mais fortes e apoio internacional coordenado.

Ao recordar a experiência angolana, Francisco José da Cruz reconheceu o contributo das Missões das Nações Unidas para a implementação dos acordos de paz e a reconciliação nacional, prestando homenagem ao pessoal que serviu no país e àqueles que perderam a vida nesse esforço.

Sublinhou que a paz alcançada em 2002, em Angola, abriu caminho a unidade nacional, reintegração e reconstrução, o que demonstra que o apoio internacional deve ser acompanhado por um compromisso nacional sustentado.

Neste sentido, reafirmou a importância de soluções políticas de iniciativa e responsabilidade nacionais, instituições inclusivas e oportunidades para os ex-combatentes e as comunidades afectadas.

Apelou para que o Conselho de Segurança alinhe as suas expectativas com as realidades operacionais das missões e assegure apoio político à execução dos mandatos.

Instou igualmente os Estados-Membros a cumprirem integral e atempadamente as suas obrigações financeiras, evitando que a escassez de recursos comprometa a protecção dos civis e a segurança do pessoal.

Reafirmou os princípios fundamentais da manutenção da paz e destacou a importância da cooperação com os países de acolhimento e as comunidades locais.

Salientou ainda a necessidade de formação adequada, alerta precoce eficaz, evacuação médica fiável, apoio à saúde mental e comunicação estratégica para combater a desinformação e o discurso de ódio.

Reiterou igualmente o apoio de Angola à política de tolerância zero do secretário-geral, em matéria de exploração e abuso sexual, com prioridade para a prevenção, responsabilização e assistência às vítimas.

O diplomata condenou a violência sexual relacionada com conflitos e apelou à participação plena, igualitária, significativa e segura das mulheres nos processos de paz e na liderança das operações.

No plano regional, preconizou uma cooperação mais profunda entre as Nações Unidas, União Africana e Comunidades Económicas Regionais, nos domínios do planeamento, formação, logística e prevenção de conflitos.

Ressaltou a implementação eficaz da resolução 2719 (2023) do Conselho de Segurança para garantir financiamento adequado, previsível e sustentável às operações de apoio à paz lideradas pela União Africana.

Reafirmou o compromisso de Angola com operações que protejam as populações, viabilizem soluções políticas e ajudem os países africanos a consolidar uma paz duradoura, lê-se numa nota de imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas.

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