MULHERES
Diplomata destaca liderança feminina como essencial para uma paz duradoura
02/11/2026 09h59
Luanda – O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, destacou, recentemente, em Nova Iorque, o papel fundamental da liderança feminina na prevenção e resolução de conflitos, consolidação da paz e reconstrução pós-conflito.
O diplomata interveio, no Conselho de Segurança da ONU, no Debate Aberto Anual de Alto Nível sobre Mulheres, Paz e Segurança, subordinado ao tema “Mulheres, Paz e Segurança no Próximo Quarto de Século – Cumprir a Promessa através da Implementação”, indica uma nota de imprensa da Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas.
Na ocasião, defendeu a transformação dos compromissos internacionais em acções concretas e mensuráveis, e salientou que, 26 anos após a adopção da Resolução 1325/2000, a comunidade internacional deve acelerar a implementação dos compromissos assumidos e garantir a participação plena, igualitária e efectiva das mulheres nos processos de paz e segurança.
Francisco José da Cruz evocou a experiência de Angola na conquista da paz, em 2002, e destacou o contributo das mulheres para a reconciliação nacional, reconstrução das comunidades e promoção da coesão social, experiência que continua a orientar os esforços de diplomacia preventiva e mediação do país, particularmente na região dos Grandes Lagos.
No plano nacional, destacou a aprovação da segunda geração do Plano de Acção Nacional para a implementação da Resolução 1325, através do Decreto Presidencial 159/26, de 03 de Setembro de 2026, destinado a reforçar a participação das mulheres na tomada de decisões, prevenção de conflitos e consolidação da paz.
Sublinhou igualmente os progressos registados na representação feminina, referindo que as mulheres ocupam actualmente 41,4 por cento dos lugares na Assembleia Nacional, 39 por cento dos cargos ministeriais, 27 dos cargos de governador provincial e 30 por cento dos postos de embaixador, além de exercerem as funções de Vice-Presidente da República e de Presidente do Tribunal Constitucional.
Recordou ainda a realização, em Angola, nos dias 9 e 10 de Julho de 2026, do Segundo Fórum Internacional de Mulheres para a Paz e a Democracia, que reforçou os compromissos africanos com a liderança feminina, governação inclusiva e prevenção da violência.
Ao apresentar as quatro prioridades de Angola para os próximos 25 anos, o diplomata realçou a necessidade de assegurar a participação efectiva das mulheres nas negociações, mediação e implementação dos acordos de paz, bem como reforçar a sua protecção contra a violência sexual relacionada com os conflitos, garantindo a responsabilização dos perpetradores e o acesso das sobreviventes à justiça, cuidados de saúde e apoio psicossocial.
Apontou igualmente a importância de investir na prevenção de conflitos, através de mecanismos de alerta precoce liderados por mulheres, diálogo comunitário e iniciativas de combate à exclusão e às desigualdades.
Como quarta prioridade, defendeu uma recuperação pós-conflito mais inclusiva, com acesso equitativo das mulheres à assistência humanitária, oportunidades económicas e processos de reconstrução, acompanhada de financiamento previsível para os Planos de Acção Nacionais e para as organizações da sociedade civil lideradas por mulheres.
Sublinhou que a concretização destas prioridades exige o reforço das parcerias entre as Nações Unidas, União Africana, organizações regionais e Estados-Membros, sustentadas por recursos adequados e mecanismos regulares de avaliação.
Reafirmou o compromisso de Angola com a implementação da Agenda Mulheres, Paz e Segurança, salientando que os resultados devem traduzir-se numa maior participação das mulheres na construção da paz, protecção efectiva dos seus direitos e em transformações positivas e duradouras nas comunidades.