Morreu a "embaixadora" das vítimas de minas em Angola
Luanda - A "embaixadora" das vítimas de minas em Angola, Justina Ngoi César, morreu, na tarde de sexta-feira última, na cidade do Huambo, aos 43 anos, por motivos de doença.
Justina Ngoi César pousou numa fotografia com a Princesa Diana, em 1997, no ex-Centro Ortopédico da Bomba Alta, actual Centro de Medicina e de Reabilitação Física.
Em Setembro de 2019, Justina Ngoi César abraçou, no Huambo, o filho de Diana, Príncipe Harry, a quem pediu apoio para lançar um projecto de formação para amputados da guerra.
Justina Ngoi César, que perdeu o membro inferior esquerdo, vítima de uma mina anti-pessoal, quando tinha apenas cinco anos de idade, cresceu no bairro São João e era considerada um exemplo claro de superação, pelo facto de ter concluído a licenciatura em Informática.
Até a data da sua morte, era técnica de Informática no Gabinete Jurídico e de Intercâmbio do Governo Provincial do Huambo.
Mãe de três filhos, teve um envolvimento directo na luta pelos direitos da pessoa portadora de deficiência, principalmente para as vítimas de minas anti-pessoal, em que foi "embaixadora" e Miss Angola da causa de combate à discriminação dos deficientes.
O irmão mais velho, Rodrigues Aleixo César, contou ao Jornal de Angola que, nos últimos dias, Justina sentiu fortes dores no corpo e depois de uma consulta, foi diagnosticada com paludismo e febre tifóide, sintomas que já estavam a ser combatidos com a medicação orientada pelo médico.
A situação de saúde agravou-se de forma muito rápida, na sexta-feira, mas ao ser levada por uma ambulância ao Hospital Geral do Huambo não resistiu a fortes dores no coração e acabou por perder a vida, antes de chegar à unidade sanitária.