Defendida inclusão activa da mulher rural na construção do país


Luanda – A ministra de Estado para a Área Social, Maria do Rosário Bragança, defendeu, esta terça-feira, na cidade do Huambo, a inclusão activa da mulher rural na construção do país, por representarem 19 por cento da população angolana.
Ao discursar na abertura do décimo segundo fórum da mulher no meio rural, Maria do Rosário Bragança recordou que 52 por cento da população angolana são mulheres, tendo destacado a relevância do seu papel no processo de desenvolvimento económico e social do país.
Considerou a mulher rural um dos pilares da transformação agrícola e da diversificação da economia nacional, num fórum que decorreu sob o lema “Empoderamento da mulher no meio rural: mecanização e inovação para a transformação sustentável da agricultura” e reuniu cerca de mil e 500 participantes de todo o país.
Maria do Rosário Bragança sublinhou que a agricultura, pecuária e silvicultura representam actualmente 9,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o comércio responde por 22,1 por cento, sublinhando que o aumento da produção no campo constitui uma prioridade nacional.
Enfatizou a persistência de barreiras que limitam a plena participação da mulher no meio rural, como a insuficiência de infra-estruturas de saúde e educação, carência de vias rodoviárias adequadas para o escoamento da produção e dificuldades de acesso ao crédito bancário.
Defendeu igualmente a criação urgente de condições que facilitem o financiamento às mulheres rurais, assim como a simplificação do acesso à titularidade da terra.
Salientou que o fórum é uma oportunidade para identificar entraves e soluções que permitam reforçar o papel da mulher no campo e a sua contribuição para a construção de uma Angola mais inclusiva e justa.
Por seu lado, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto, reafirmou o compromisso do Executivo em promover a inclusão, valorização e capacitação da mulher rural.
Ao intervir no fórum, afirmou que a mulher rural é responsável por mais de 80 por cento da produção e comercialização dos alimentos que os angolanos consomem, tendo destacado o seu papel na preservação das tradições que sustentam a identidade nacional.
Ana Paula do Sacramento Neto disse que o fórum constitui um espaço de reflexão para analisar políticas concretas, partilhar experiências e procurar soluções para os principais desafios que afectam a mulher do meio rural, com realce para o acesso à terra, ao crédito, às tecnologias e aos mercados, no quadro das estratégias alinhadas a Agenda 2063 da União Africana e aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
Revelou que o Executivo, com apoio dos parceiros, vai continuar a apostar na mecanização, inovação tecnológica e empreendedorismo nas aldeias, para libertar a mulher do trabalho penoso e aumentar a produtividade.
Paralelamente ao fórum, decorreu uma exposição de produtos do campo exibidos pelas delegações das 21 províncias, que inclui produção agrícola, manifestações culturais e tradições de cada localidade.
Entre os temas abordados no fórum, destacam-se as experiências de mulheres do campo e políticas de inclusão, reflexões sobre o impacto da Agenda 2063 da União Africana e dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável na vida da mulher rural e a necessidade de ampliar os fundos e mecanismos de financiamento da agricultura familiar.
Abordaram igualmente as acções enquadradas na nova estratégia de segurança alimentar, viradas para o combate à pobreza, para além de questões ligadas com a formalização das cooperativas femininas e o seu acesso ao crédito e as boas práticas de empoderamento social e conómico da mulher rural em diferentes comunidades.
Os debates estenderam-se à mecanização e inovação para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, orientada para o mercado e os desafios da pequena indústria, assim como discussões sobre as estratégias de mobilização de recursos financeiros para a implementação de políticas e iniciativas, bem como o uso de tecnologias para dinamizar a pequena indústria transformadora.
No final dos trabalhos, os participantes recomendaram a criação de associações, cooperativas e redes comunitárias de mulheres, de modo a facilitar a partilha de boas práticas e o fortalecimento das capacidades organizacionais, assim como a necessidade de o Ministério da Educação reforçar os mecanismos de acesso das mulheres à alfabetização e o desenvolvimento de programas de formação técnico-profissional e de literacia financeira e digital, adaptados à realidade social e cultural das comunidades rurais.
Solicitaram ao Executivo a trabalhar em parceria com os bancos comerciais, para promover linhas de crédito diferenciadas e fundos específicos para as mulheres do meio rural, com mecanismos simplificados, assim como a criação de infra-estruturas para reduzir perdas pós-colheita e o apoio jurídico e institucional para a formalização de cooperativas familiares.
Os participantes defenderam a integração da mulher do meio rural em todas as fases da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar, bem como a expansão dos programas de literacia financeira e digital para gestão de projectos agrícolas e acesso a serviços digitais de crédito.
Recomendaram a necessidade de maior apoio ao escoamento e armazenamento da produção agrícola, políticas fiscais de incentivo à criação de pequenas indústrias transformadoras lideradas por mulheres e o estabelecimento de parcerias público-privadas, para mobilização de recursos financeiros destinados a iniciativas agrícolas e industriais inclusivas.
O fórum constitui-se um espaço de auscultação e reflexão sobre a realidade da mulher rural em múltiplas vertentes, permitindo a definição de linhas de actuação conjuntas para a resolução de problemas prioritários.
Entre os participantes, estiveram membros do Executivo, organizações nacionais e internacionais, associações e cooperativas de mulheres, entidades religiosas, autoridades tradicionais e líderes comunitários.
O Fórum Nacional da Mulher no Meio Rural afirma-se como uma oportunidade para valorizar a história, resiliência e os desafios da mulher angolana, reforçando o contributo diário para o progresso e a coesão social.
A próxima edição do fórum da mulher rural vai se realizar, em 2027, na província do Moxico Leste.