CAPITAL HUMANO
Conferência recomenda criação de fundo de apoio ao capital humano
01/09/2025 08h01
Luanda - A criação de um Fundo Nacional de Apoio à implementação do capital humano para impulsionar o desenvolvimento sustentável do país é uma das recomendações saídas da conferência nacional sobre a material, encerrada, este sábado, em Luanda.
No comunicado final da conferência, lido pelo director do Gabinete de Quadros do Presidente da República, Edson Barreto, destaca-se que o capital humano nacional representa um investimento estratégico, essencial para aumentar a produtividade, diminuir as desigualdades e impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Os participantes a conferência consideram o capital humano imperativo agilizar a avaliação do programa de envio anual de 300 estudantes angolanos para as universidades de excelência internacional e garantir as condições para sua retomada imediata ao país.
Reconhecem ser fundamental a criação de uma política que promova e assegure a inserção profissional dos angolanos que recebem bolsas de estudo financiadas com recursos públicos, assim como ressaltam a necessidade de investimento na educação, saúde, desenvolvimento de competências e promoção da inovação, bases para o aumento da produtividade, competitividade e coesão social.
A educação e a saúde constituem prioridades estratégicas e as experiências de diversos países africanos demonstram que políticas consistentes nestas áreas conduzem a um maior crescimento económico, diminuição das desigualdades e progresso social, expressam os participantes no comunicado.
Diáspora representa recurso estratégico
No documento, é reconhecido que a diáspora representa um recurso estratégico com potencial para contribuir com competências, redes globais e investimentos para a transformação do capital humano e mitigar a fuga de cérebros do continente africano.
Os participantes defendem a implementação de modelos de reintegração da diáspora com incentivos fiscais e estabelecimento de plataformas de informação com a comunidade, assim como concluíram pela necessidade da transformação da emigração num processo de transferência de conhecimento, a par do cadastro e mapeamento dos profissionais na diáspora e respectivas áreas de actuação.
Carreiras docentes e modelo educacional inovador
Ao reconhecerem que a formação de professores para o ensino geral ainda ocorre em escolas de magistério e em instituições de ensino superior, os participantes recomendaram a aceleração da transição gradual para o sub-sistema de ensino superior, como estabelece o Programa Nacional de Formação e Gestão do Pessoal Docente.
O documento ressalta a urgência na implementação de um modelo educacional inovador para o país, reconhecendo que o actual enfrenta obstáculos como a restrição de recursos financeiros, prevalência de um currículo tradicional, disparidade territorial no acesso à tecnologia e necessidade de maior articulação entre os órgãos governamentais.
Esta conferência concluiu que Angola deve criar as condições necessárias para a implementação do modelo educacional proposto, inspirando-se nas práticas de países como a Finlândia, Estados Unidos da América (EUA), Coreia do Sul, Portugal e África do Sul, visando criar um ecossistema de ciência, tecnologia, arte e inovação e reduzir a lacuna tecnológica entre Angola e os países mais desenvolvidos.
A necessidade do estabelecimento duma arquitectura institucional interligada, colaborando com instituições como o SINFOTEC, centros de formação e a Huawei Academy e a criação de escolas de gestão com foco nas áreas temáticas relevantes consta também das recomendações da reunião.
Os participantes consideraram ser fulcral o investimento nas novas tecnologias no sistema de ensino, em todas as regiões do país, com vista a democratizar o conhecimento e promover a resolução de problemas sociais, sublinhando a urgência na expansão da infra-estrutura digital, especialmente nas áreas rurais.
No encerramento da conferência, o ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Adão de Almeida, considerou muito proveitosa a sua realização, enfatizando que o mais importante são as pessoas, como agentes do desenvolvimento e seus principais beneficiários.
O evento reuniu mais de duas mil participantes, entre decisores políticos, académicos, representantes do sector privado, sociedade civil e parceiros internacionais que abordaram diferentes temas, com maior enfoque na formação, qualificação, inserção no mercado de trabalho e o papel das instituições públicas e privadas.