BIODIVERSIDADE
Vice-Presidente da República recebe delegação da National Geographic

12/09/2025 11h15
Luanda - A Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, recebeu, esta quinta-feira, em Luanda, uma delegação da National Geographic, ligada a projectos de conservação e sustentabilidade ambiental.
No encontro, foram abordadas questões relacionadas com a preservação da biodiversidade, investigação científica e cooperação para o desenvolvimento sustentável em Angola e na região Austral do continente.
Na oportunidade, a National Geographic e a Fundação Lisima manifestaram interesse em trabalhar com universidades angolanas para ministrar cursos de pós-graduação, mestrados e doutoramento, nas áreas de conservação e protecção da biodiversidade angolana.
Em declarações prestadas á saída da audiência, o explorador da National Geographic e líder do projecto Vida Selvagem do OKavango, Steve Boyez, referiu que a sua instituição e a Fundação Lisima assinaram acordos que vão permitir uma cooperação de trabalho, até 2032, demonstrando a importância de Angola para a região e o mundo, no que diz respeito a biodiversidade.
Além do interesse em trabalhar com universidades do país, Steve Boyez sublinhou que foi feita uma proposta para a realização de uma cimeira presidencial, em 2027, em Angola, visando destacar “a grande importância da contribuição hídrica do país”.
No entender de Steve Boyez, Angola deve sentir-se orgulhosa, porque cientistas da National Geographic, em colaboração com angolanos, conseguiram identificar 275 novas espécies de animais, inclusive uma série de novos elefantes, na zona do Okavango.
Na audiência, assistida pela directora-geral adjunta do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação, Marta Zumbo, e o director-geral da Fundação Lisima, Elves Zambela, foi abordada a intenção da National Geographic trabalhar com instituições académicas angolanas nos projectos ligados à biodiversidade, a semelhança do que já acontece com a Associação de Ciências Ecológicas do Brasil.
A série identificada do novo elefante, frisou explorador da National Geographic, deu lugar a um filme em Hollywood, denominado “Ghost Elephants” (elefantes fantasmas), realizado por Werner Herzog, o “mais famoso realizador de documentários do mundo”, premiado no mês passado, durante o Festival de Veneza, Itália.
“Este filme celebrará Angola, celebrará a nova espécie de elefantes, e vai atrair a atenção global ao que encontramos aqui. Queremos mostrar todo esse potencial existente em Angola, em especial na zona do Okavango”, sublinhou.
Considerou que o encontro com a Vice-Presidente da República foi profícuo, porque foram abordados aspectos sobre a importância geopolítica e hidrográfica de Angola, designadamente a região do Okavango, Zambeze, Cuando, Kwanza e o Congo.
No encontro, adiantou, discutiu-se sobre a COP15 da Convenção das Zonas Húmidas de Ramsar, em que foi anunciada que a “fonte verdadeira do rio Zambeze está na Angola”, tendo anunciado que uma nova área de conservação foi inscrita na Convenção de Ramsar, e aguarda-se, em breve, os resultados.
Revelou que 72 por cento da quantidade de água que alimenta os grandes rios da região vem de Angola, sobretudo da bacia do Okavango, Zambeze, Kwanza e Congo.
Por seu lado, a directora-geral adjunta do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação, Marta Zumbo, considerou a audiência pertinente, por ter sido possível mostrar à Vice-Presidente da República os trabalhos que estão a ser feitos no terreno para que Angola possa apresentar ao mundo a biodiversidade e as potencialidades da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Angola, continuou, assumiu compromissos internacionais, a fim de aumentar as áreas de conservação ambiental e, por isso, teve que trabalhar com vários parceiros, no sentido de atingir a meta de 17 por cento das áreas de conservação no país.
O director-geral da Fundação Lisima, Elves Zambela, referiu que a conservação da biodiversidade não se limita simplesmente à área da investigação e pesquisa, mas também à implementação de programas sociais para as comunidades locais, cita o JA Online.
Segundo Elves Zambela, as políticas sobre a conservação da biodiversidade compreendem o desenvolvimento das comunidades locais, como por exemplo prestar apoio para a produção de mel, no caso do Leste de Angola, artigos artesanais, Agricultura, Saúde e Educação.
Intgegraram a delegação o presidente da organização, John Hilton, o director-geral da Fundação Lisima, Elves Zambela, e o director do The Wilderness Project, Steve Boyes.