Países assinam compromisso para combater desinformação
Luanda - Países presentes na trigésima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), que decorre em Belém (Brasil), assinaram, esta quarta-feira, uma declaração com compromissos internacionais compartilhados para combater a desinformação climática e promover informações precisas e baseadas em evidências.
De acordo com a Lusa, a declaração assinala, pela primeira vez, que a integridade da informação é uma prioridade numa Conferência da ONU sobre o Clima.
O documento foi apresentado pela Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Alterações Climáticas e compromete os signatários a promover a integridade das informações relacionadas com as alterações climáticas nos níveis internacional, nacional e local, de acordo com o direito internacional dos direitos humanos e os princípios do Acordo de Paris.
A declaração foi apoiada até agora por mais de uma dezena de países, entre os quais Brasil, Canadá, Chile, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha e Espanha.
A declaração exorta Governos, sector privado, sociedade civil, mundo académico e financiadores a tomarem medidas concretas para combater o impacto crescente da desinformação, da informação errada, do negacionismo e dos ataques deliberados contra jornalistas, defensores, cientistas e investigadores ambientais, que minam a acção climática e ameaçam a estabilidade social.
Na abertura da COP30, o Presidente do Brasil já tinha alertado para os obscurantistas que rejeitam as provas científicas, acrescentando que é hora de infligir mais uma derrota ao negacionismo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também já tinha alertado, em vésperas da COP, para a luta contra a desinformação e a informação errada e o “greenwashing”.
O Fundo Global para a Integridade da Informação sobre as Alterações Climáticas, lançado em Junho deste ano, já recebeu mais de 400 propostas e já começou a apoiar projectos, especialmente do Sul Global.
A Declaração enfatiza que a mobilização de todos os actores da sociedade requer acesso a informações coerentes, fiáveis, precisas e baseadas em evidências sobre as alterações climáticas, o que é indispensável para sensibilizar, promover a participação pública, permitir a prestação de contas e gerar confiança pública nas políticas e medidas climáticas urgentes.
Os signatários comprometem-se com esses princípios de promoção da integridade da informação e fomento do acesso equitativo a informações precisas, baseadas em evidências e compreensivas para todos, assim como a proteger os que informam e investigam as alterações climáticas.
A declaração também exorta os Governos a garantirem fundos para investigar a integridade das informações climáticas, e insta o setor privado a comprometer-se com a integridade das informações nas suas práticas comerciais e publicitárias.
A COP30 começou, esta segunda-feira, e termina a 21 deste mês, na cidade de Belém, porta de entrada para a Amazónia brasileira.