Polícia Nacional recupera mais de 35 mil armas das empresas de segurança privada
Luanda - A Polícia Nacional recolheu cerca de 35 mil armas de guerra em posse de empresas privadas de segurança, de Janeiro a Setembro do ano em curso, revelou, em Luanda, o comandante-geral da corporação, Francisco Ribas da Silva.
Ao intervir na reunião ordinária do Conselho Superior da Polícia, adiantou que este número corresponde a 80 por cento do total identificado, restando cerca de sete mil armas por recuperar, para completar as 42 mil previstas no programa de controlo e retirada de meios bélicos fora das estruturas autorizadas.
Reconheceu que a recolha das armas tem contribuído para reduzir a criminalidade violenta, em 4,5 por cento, sublinhando que a campanha de recolha, associada a outras operações policiais, tem permitido maior estabilidade dos níveis de segurança pública, sobretudo na diminuição de roubos, furtos e homicídios.
No domínio criminal, apontou os abusos sexuais contra menores, maioritariamente praticados por pessoas próximas das vítimas, como uma das principais preocupações actuais, defendendo o reforço da articulação inter-institucional para a adopção de medidas capazes de inverter o quadro.
No capítulo preventivo, anunciou o relançamento do policiamento de proximidade, cuja estratégia inicial, traçada há mais de 16 anos, está a ser reformulada para melhor resposta às necessidades actuais das comunidades.
Deu a conhecer que a sinistralidade rodoviária continua a merecer atenção especial, com a implementação do programa “Mude antes que seja tarde”, voltado para a educação dos utentes das estradas e para a actuação policial rigorosa contra infracções, no domínio do trânsito.
Referiu que, apesar dos constrangimentos orçamentais, a Polícia Nacional executou 60 por cento do Plano de Acção de 2025, com realce para o reforço da capacidade operacional, através da aquisição de viaturas, meios de gestão de multidões e equipamentos de protecção individual.
Apontou também avanços na melhoria da rede de infra-estruturas policiais, com a conclusão e inauguração de comandos, esquadras, postos policiais e centros de formação em várias províncias.
O comandante-geral informou que estão em curso os preparativos para o Plano de Acção e a Directiva Operativa de 2026, alinhados com as orientações estratégicas do Executivo.
Entre as prioridades, destacou o aumento do efectivo, a melhoria das condições infra-estruturais, o aprimoramento do sistema de formação policial e a redução dos índices de criminalidade violenta e sinistralidade rodoviária.
Durante a reunião foram abordados vários assuntos ligados ao fortalecimento da cooperação internacional, no quadro da CPLP e da SADC, assim como com a Polícia Federal do Brasil e o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos, além da implementação dos nove eixos do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Polícia Nacional (2023-2027).