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Dia Nacional do Educador em Angola celebra taxa de literacia de 76 por cento

Educação em Angola Imagem: DR

22/11/2025 13h24

Luanda. Celebra-se, hoje, em todo o território nacional, o Dia Nacional do Educador em Angola, uma data instituída em 1978 para marcar a abertura da campanha de alfabetização, iniciada pelo primeiro Presidente angolano, Dr. António Agostinho Neto, a 22 de Novembro de 1976, na fábrica Textang II, em Luanda.

 Trata-se de uma data que serve para fazer um balanço dos esforços que remontam à fase de abertura da campanha de alfabetização, reflectir sobre a contínua necessidade de se erradicar o analfabetismo, homenagear os profissionais da educação e perspectivar Angola do futuro em que o angolano não seja apenas livre do analfabetismo, mas também capaz de superar o chamado “analfabetismo funcional”.

Como parte da memória histórica, o Jornal de Angola lembra a data para, entre outros, abordar a origem da mesma, o propósito, o objectivo, a perspectiva da UNESCO e o reconhecimento daqueles que se empenharam para ver baixar a taxa de analfabetismo.

A taxa de analfabetismo em Angola em 1978 era de, aproximadamente, 85 por cento em relação à população economicamente activa, valor semelhante de há três anos, pouco depois da independência em 1975, razão pela qual o Governo angolano lançou uma campanha nacional de alfabetização como um “imperativo nacional” para o desenvolvimento do país.

Para combater o analfabetismo, foi criado o Ministério da Educação e Cultura, com uma Direcção Geral do Ensino que incluía o Serviço de Alfabetização e Formação Permanente.

Origem da data

A celebração tem origem na declaração da campanha de alfabetização a 22 de Novembro de 1976 e foi institucionalizada como o Dia Nacional do Educador em 1978. A data representa uma ocasião importante para que os intervenientes no processo educativo reflictam sobre os principais problemas do sector, visando encontrar as necessárias fórmulas para a superação dos diversos constrangimentos que enfermam o sistema educativo.

A data serve, igualmente, para reflectir sobre o papel fundamental dos educadores na sociedade e para reconhecer o seu trabalho na formação das novas gerações.

Em Angola, a data ficou registada na história como o Dia Nacional do Educador desde 1978, sendo que o educador é aquela figura a quem cabe a responsabilidade de ensinar, educar e transferir o seu conhecimento para os seus educandos.

É o pilar e o catalisador do desenvolvimento de uma pessoa, em particular, e de uma comunidade, no geral. O educador é a vanguarda na transmissão dos distintos valores sociais das crianças e dos jovens. A data representa uma ocasião importante para que os intervenientes do processo educativo reflictam sobre os principais problemas do sector, visando encontrar as necessárias fórmulas para a superação dos diversos constrangimentos que enfermam o sistema educativo.

Propósito da data

Sendo o educador a pessoa que se dedica ao ensino sistemático, escolar e na transmissão de saberes técnicos e teóricos à nova geração estudantil, tem como um dos objectivos construir uma base forte para a transformação do aluno. A aposta na formação do capital humano é um desafio que tem contado com a entrega e trabalho abnegado dos agentes da educação, cujo mérito é diariamente celebrado nos níveis de desenvolvimento e no progresso do nosso país, não obstante haver, ali e acolá, aspectos relacionados com a qualidade, por superar.

Objectivo da data

O dia é também uma ocasião para a reflexão sobre os desafios do sector educativo e a busca por soluções para melhorar a educação no país. No contexto do lançamento da Campanha Nacional de Alfabetização, naquele gesto histórico do Presidente António Agostinho Neto, numa altura em que o país detinha uma taxa acima de dois terços de iliteracia, a ideia tinha a ver com a necessidade de se combater o analfabetismo.

Para as autoridades, naquela altura, e para organizações como a UNESCO, o analfabetismo, nos níveis que Angola apresentava pouco depois de alcançar a Independência Nacional, eram incomportáveis com os desígnios da “construção do homem novo”, para o desenvolvimento, paz e estabilidade.

A UNESCO encara o analfabetismo como um grave obstáculo ao desenvolvimento social e individual, considerando a alfabetização não apenas como uma habilidade básica, mas como um direito humano fundamental e um instrumento para a participação plena na sociedade.

Perspectiva da UNESCO

A UNESCO defende que toda pessoa, independentemente da idade, tem o direito a uma educação de qualidade, o que inclui a alfabetização.

Ferramenta de empoderamento: O organismo vê a alfabetização como uma ferramenta essencial que fortalece a voz e a participação de indivíduos e comunidades na sociedade, permitindo-lhes exercer seus direitos civis e participar do mercado de trabalho.

Alfabetização funcional: a UNESCO apoia o conceito de alfabetização funcional, que visa dotar as pessoas de conhecimentos e habilidades de leitura e escrita que lhes permitam participar activamente em todas as actividades sociais onde essa capacidade seja necessária.

Desafio para o desenvolvimento: o analfabetismo é visto como um factor que impede o desenvolvimento social e económico, e a erradicação é considerada essencial para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Acções e abordagens

A UNESCO apoia políticas e práticas para a aprendizagem ao longo da vida, incluindo programas para jovens e adultos em todo o mundo.

Foco na equidade de género: a organização reconhece que as mulheres e meninas enfrentam maiores barreiras no acesso à educação e alfabetização e trabalha para superar essa desigualdade de género.

Estudos e dados: a UNESCO colecta e analisa dados sobre o analfabetismo para informar sobre as políticas e estratégias globais, como a taxa de analfabetismo mundial e os países que mais enfrentam esse desafio.

Apoio a políticas públicas: a UNESCO trabalha com os Estados-membros para desenvolver e implementar políticas públicas eficazes de alfabetização.

O Ministério da Educação (MED) de Angola destacou, em 2025, a educação como uma ferramenta para a transformação social e o papel fundamental do educador na construção de uma sociedade mais justa, enfatizando o empenho dos profissionais em proporcionar um ensino de qualidade e a formação de melhores cidadãos

No actual contexto, a julgar por inúmeras iniciativas em sede de diálogo e concertação, entre as autoridades e os seus parceiros sociais, o Ministério da Educação privilegia e luta pela contínua valorização do educador como mediador e construtor do conhecimento em sociedade.

O Ministério da Educação reafirma a escola como um espaço de transformação e a educação como a ferramenta mais poderosa para alcançar uma sociedade mais solidária, justa e digna.
O educador é destacado como aquele que estuda, acredita, acolhe e incentiva, construindo a base para o ensino de qualidade.

O objectivo das acções na educação é entregar à sociedade pessoas melhores, com o engajamento dos educadores por um ensino de qualidade. O educador actua como mediador da relação ensino-aprendizagem, e não apenas como um professor que impõe ideias ou valores.

O Ministério da Educação destaca, no corrente ano, a educação como uma ferramenta para a transformação social e o papel fundamental do educador na construção de uma sociedade mais justa, enfatizando o empenho dos profissionais em proporcionar um ensino de qualidade e a formação de melhores cidadãos

O órgão de tutela quer continuar na senda em que se encontra de concertação e auscultação permanentes, esforços na valorização da carreira dos professores, dignificação dos alfabetizadores, contar com os encarregados de educação e toda a sociedade no sentido da valorização do educador como mediador e construtor do conhecimento.

Homenagens e reconhecimento

Diversas instituições, como universidades e Governos provinciais, celebram a data com mensagens de felicitações e eventos para homenagear os educadores pelo seu trabalho incansável, numa altura em que importa lembrar, com mérito e distinção, a figura do primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, o impulsionador dos esforços, a nível nacional, para alfabetizar os angolanos e atingirmos, hoje, a taxa de literacia de 76 por cento da população acima dos 15 anos de idade.

Ano lectivo 2025/2026

Em 2025, o ano lectivo em Angola arrancou, oficialmente, para cerca de 10 milhões de alunos, com foco no lema "Aprender com tecnologia, inovar com criatividade, e transformar com paixão".

Apesar do início das aulas e da entrada de cerca de 1.9 milhão de novos alunos, o sector enfrenta desafios persistentes.

Quanto à alfabetização, propriamente, o Governo e os parceiros estão a implementar programas com ênfase crescente na alfabetização digital e na capacitação de formadores. Eventos como a Gala de Outorga do Prémio Nacional da Alfabetização celebram o progresso e o esforço para aumentar a taxa de alfabetização.

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