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Adão de Almeida destaca obra e legado da professora Maria do Carmo Medinae

Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, homenageia professora Maria do Carmo Medina, na abertura do Congresso Internacional de Direito da Família
Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, homenageia professora Maria do Carmo Medina, na abertura do Congresso Internacional de Direito da Família Imagens: Assembleia Nacional

Redacção

Publicado às 09h45 10/12/2025

Luanda - O Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, destacou, esta segunda-feira, em Luanda, a obra e o legado da jurista Maria do Carmo Medina, na abertura do Congresso Internacional de Direito da Família, iniciativa da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.

No congresso, dedicado à reflexão científica e homenagem ao centenário da professora Maria do Carmo Medina, o Presidente da Assembleia Nacional exaltou a dimensão humana, académica e patriótica da homenageada, sublinhando que, embora fisicamente ausente, “continua presente no dia-a-dia de Angola, através de cada estudante que formou, de cada ideia que construiu e de cada causa que defendeu”.

Adão de Almeida realçou que celebrar os seus 100 anos “é justo, oportuno e um claro gesto de gratidão pelo muito que deu ao país”, sublinhando o percurso pioneiro daquela que se tornou uma das personalidades mais influentes na edificação do sistema jurídico angolano, apesar de ter nascido em Portugal.

Recordou que Maria do Carmo Medina foi a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia no país e que desempenhou um papel decisivo na defesa dos jovens nacionalistas angolanos, especialmente no “Processo dos 50”, em finais da década de 50 do século passado.

Segundo Adão de Almeida, a actuação da jurista “expôs a ausência de garantias de defesa e a violência sistemática do regime colonial”, contribuindo para mobilizar a opinião pública internacional em defesa dos presos políticos angolanos.

Ressaltou o contributo da homenageada na construção do Estado angolano independente, nomeadamente na elaboração de diplomas estruturantes e no exercício das funções de juíza-conselheira vice-presidente do Tribunal Supremo.

Entre as suas contribuições, Adão de Almeida sublinhou o papel central da professora Maria do Carmo Medina na elaboração do Código da Família de 1988, sendo considerada “principal progenitora”, tendo impulsionado profundamente o ensino e o desenvolvimento do direito da família em Angola.

Adão de Almeida defendeu a necessidade de se revisitar o Código da Família, 37 anos depois da sua entrada em vigor, apontando que “a sociedade mudou e novas realidades culturais, espirituais e sociais exigem respostas mais actuais e eficazes”.

Apontou como desafios contemporâneos os conflitos entre o Direito Costumeiro e o Direito Estatal, o impacto da espiritualidade na estabilidade familiar, as crenças que fragilizam a protecção da criança, como acusações de feitiçaria, casamento infantil, violência doméstica, violação dos deveres parentais e burocracias que atrasam a adopção.

Segundo afirmou, “a validade e legitimidade do direito dependem da sua capacidade de se adaptar a realidade social”, tendo alertado para o risco das relações familiares passarem a ser reguladas por valores paralelos, caso o direito não acompanhe a evolução da sociedade.

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