OURO
Província da Huíla possui 15 zonas ilegais de exploração de ouro
14/01/2026 10h58
Luanda - O comandante provincial da Polícia Nacional na Huíla informou, segunda-feira, que existe, na região, 15 zonzas activas de garimpo ilegal de ouro distribuídos nos municípios do Cuvango, Dongo e Jamba, onde estão envolvidos mais de 26 mil indivíduos entre nacionais e estrangeiros.
Em declarações à imprensa, Divaldo Martins disse que a situação está a preocupar as autoridades da província da Huíla porque tem causado um impacto negativo a nível da segurança pública, meio ambiente e na economia local, uma vez que o ouro é explorado de forma clandestina, sem retorno efetivo aos cofres do Estado.
A situação, salientou, favorece ainda o surgimento de redes de criminalidade e expõe os próprios garimpeiros a riscos elevados, devido às precárias condições de trabalho e à ausência de qualquer controlo técnico.
Por seu turno, o administrador municipal do Cuvango, Luís Paulo Ndala, disse que, caso a exploração de ouro seja enquadrado de forma legal e organizada, este fenómeno pode representar uma oportunidade de desenvolvimento para a região.
Segundo o responsável, a criação de cooperativas mineiras, integrando cidadãos locais do município e da província, permitiria transformar o garimpo numa actividade regulada, geradora de emprego e de receitas fiscais.
“As pessoas vão para o garimpo à procura de recursos para se sustentarem”, afirmou, defendendo que se deve olhar para o garimpeiro enquanto trabalhador e não apenas como infractor.
Esta opinião é partilhada por outros cidadãos residentes nas referidas regiões como é o caso de António Paulo, residente no município do Cuvango, que aponta a falta de alternativas económicas como a base do problema.
“Daí que, muitos jovens desempregados e sem apoio para trabalhar na agricultura acabam por ir ao garimpo como sendo a única forma de sobrevivência”, salientou.
Já Maria da Conceição, comerciante na vila do Dongo, alerta para os efeitos negativos da actividade ilegal na vida das comunidades, uma vez que, sem o devido controlo, o garimpo traz movimento de pessoas e bens, aumenta a insegurança e a destruição dos rios.
As autoridades defendem, por isso, uma abordagem integrada que combine o reforço das medidas de fiscalização com políticas sociais e económicas capazes de criar alternativas de rendimento, sobretudo para os jovens, para que se transforme o problema de segurança num factor de desenvolvimento sustentável para as referidas regiões.