CHUMBO

Milhões de crianças angolanas apresentam níveis de envenenamento por chumbo

Crianças em Angola (Arquivo)Imagem: DR

19/01/2026 13h00

Luanda – Cerca de quatro milhões e 700 mil crianças angolanas apresentam níveis preocupantes de envenenamento por chumbo, que resulta em sintomas de anemia, doenças mentais e problemas cardiovasculares, revelou, em Luanda, a directora nacional do Ambiente, Hassana Lima.

Hassana Lima, que falava sexta-feira última, durante um workshop sobre um estudo do UNICEF sobre Chumbo nas Tintas em Angola, sublinhou que uma em cada quatro crianças angolanas é afectada pelo referido veneno.

Deu a conhecer que o Ministério do Ambiente, através do Instituto Nacional de Gestão Ambiental, e outros parceiros assinaram um memorando, em Janeiro de 2023, para realizar um estudo sobre o estado das tintas e delinear um compromisso para reduzir os riscos de exposição ao chumbo.

O estudo, que visou identificar as marcas de tintas comercializadas em fábricas angolanas e analisar a quantidade de chumbo presente nas tintas disponíveis para os consumidores, baseou-se em 50 latas produzidas à base de solvente e água, segundo disse.

Com os testes, o instituto prevê auxiliar as partes envolvidas a compreender o impacto social e ambiental das tintas com o veneno, assim como apresentar dados que sirvam de fundamentação para a elaboração e aprovação de regulamentação sobre o chumbo e as pinturas.

Apontou, como acções e perspectiva do Instituto, a criação de um grupo de trabalho, evolvendo diferentes departamentos ministeriais para a elaboração de uma proposta de regulamentação do chumbo nas tintas produzidas e comercializadas no país e certificar os produtos produzidos em Angola, assim como realizar campanhas de sensibilização.

A gestora do programa de Angola-LEEP, Hélia Costa, que apresentou o segundo estudo sobre o projecto em Angola, desafios e perspectivas, disse que, em 2023, foram efectuadas análises apenas em Luanda, enquanto, em 2025, foram feitos estudos em 65 amostras nas províncias de Luanda, Benguela, Namibe e Cabinda.

O secretário de estado para o Ambiente, Yuri Sousa e Santos, defendeu, em Luanda, a necessidade de eliminação do chumbo nas tintas como como um compromisso com a vida, a saúde das gerações presentes e futuras e o desenvolvimento sustentável do país.

Ao discursar na abertura do Workshop sobre o segundo estudo de identificação de chumbo nas tintas em Angola, reconheceu a toxicidade da substância, cujos efeitos nocivos estão amplamente comprovados, em particular no desenvolvimento infantil e no bem-estar geral das comunidades.

Referiu que o Ministério do Ambiente reconhece e valoriza o papel que a indústria, entidades reguladoras, laboratórios, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais têm estado a desempenhar para a redução da substância.

Defendeu que a transição para sistemas de produção mais seguros e responsáveis seja conduzida de forma progressiva, colaborativa e inclusiva, assegurando o equilíbrio entre a protecção da saúde pública, preservação ambiental e sustentabilidade económica.

Reiterou que a gestão segura e sustentável de produtos químicos constitui uma prioridade estratégica do Estado angolano, expressamente consagrada no Plano de Desenvolvimento Nacional, no âmbito do programa das métricas que incidem sobre a protecção da economia circular, gestão das substâncias químicas e educação ambiental.

Exortou para a promoção da sensibilização, diálogo e engajamento activo de todos os actores da sociedade, visando garantir a produção, importação e comercialização de tintas ambientalmente sustentáveis, livres de chumbo e alinhadas com as melhores práticas internacionais.

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