INQUéRITO

Saúde lidera lista de preocupações nos países de língua portuguesa

Logomarca do Barómetro da LusofoniaImagem: DR

30/01/2026 12h47

Luanda - A saúde, educação e desemprego são considerados os principais problemas nos países de língua portuguesa pelos seus cidadãos, segundo o primeiro “Barómetro da Lusofonia”, divulgado, esta quarta-feira.

Em Angola, a configuração segue a tendência geral, com a educação, saúde e desemprego no topo das preocupações, mas com valores mais elevados do que a média dos países analisados.

A educação é mencionada por 53 por cento dos angolanos inquiridos, a saúde por 48 por cento e o desemprego por 45 por cento.

A inflação surge em quarto lugar, com um peso particularmente elevado, correspondendo a cerca do dobro da média geral.

O estudo foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas, com sede em São Paulo, no Brasil, e coordenado por António Lavareda, director-geral do Barómetro e presidente do Conselho Científico do instituto.

O barómetro reúne percepções de cidadãos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste sobre 25 indicadores.

A saúde lidera as preocupações dos cidadãos da lusofonia, com 53 por cento das respostas, seguida da educação, com 43 por cento, e do desemprego, com 34 por cento, de acordo com os dados do inquérito, realizado em oito dos nove Estados-membros da CPLP.

O estudo não abrangeu a Guiné Equatorial, o nono membro da CPLP.

O mesmo aponta que 57 por cento da população dos países inquiridos não está satisfeita com o funcionamento da democracia, exceptuando Timor Leste (75 por cento) e Portugal (61 por cento), onde a maioria dos entrevistados declara estar satisfeita.

Na maior parte dos países analisados, os resultados indicam níveis elevados de participação eleitoral declarada, mas nem sempre reflectidos nos índices de votação de facto.

Em média, 63 por cento dos inquiridos afirmam que votam sempre e 13 por cento que votam na maioria das vezes, enquanto apenas 11 por cento declararam que votam raramente enove por cento que nunca votam.

Nas métricas sobre fake news, o Barómetro aponta que 64 por cento afirmam já ter recebido notícias falsas, com Portugal (83 por cento) e Brasil (80) a liderar, seguidos por Angola (71 por cento), Moçambique (71) e Guiné-Bissau (67).

A referência às fake news é mais baixa em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, ambos com 49 por cento, e Timor-Leste (40).

De acordo com António Lavareda, o estudo visa fortalecer a integração entre os países de língua portuguesa, aprofundar a compreensão sobre percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacar o papel estratégico do idioma português, que tem cerca de 300 milhões de falantes.

Segundo António Lavareda, em quase todos os países analisados, a saúde surge como uma preocupação central, com percentagens que frequentemente se aproximam ou ultrapassam metade dos inquiridos.

Em Portugal, a saúde ocupa o primeiro lugar, com 55 por cento das menções, embora o desemprego surja com um peso reduzido, referido por apenas nove por cento dos entrevistados.

A inflação também surge com baixa expressão, enquanto a economia em geral é apontada como preocupação por 22 por cento.

A principal excepção à preocupação com a saúde é Moçambique, onde apenas 28 por cento dos inquiridos destacam esta área.

Com efeito, em Moçambique, a educação lidera a lista de preocupações, com 35 por cento, seguida da saúde (28), do desemprego (21) e de questões ligadas à inflação e à economia em geral, indicando que as inquietações económicas assumem um papel central.

Na Guiné-Bissau, os resultados evidenciam carências severas em áreas essenciais, com a saúde a ser apontada como principal problema por 85 por cento dos inquiridos, e a educação por 78 por cento, os valores mais elevados registados para qualquer indicador entre os países analisados.

Em Timor Leste, as percepções distribuem-se por várias frentes críticas, com cerca de seis em cada dez cidadãos a referirem saúde, educação e desemprego, todas com percentagens próximas dos 59 por cento.

No Brasil, os principais problemas identificados são a saúde, com 45 por cento das menções, a violência, com 40, e a educação, com 35.

Em Cabo Verde, a violência assume um peso de 47 por cento das menções, estando atrás do desemprego, apontado por 60 por cento dos inquiridos, e da saúde, com 55.

A inflação e o aumento dos preços são referidos por 25 por cento, o segundo valor mais elevado deste indicador entre os países analisados.

Relativamente a São Tomé e Príncipe, as questões relacionadas à saúde também lideram as preocupações, correspondendo a 48 por cento das citações.

Naquele país, o desemprego é outro ponto de alarme para a população, com 40 por cento das indicações e a educação aparece com 29 por cento.

De acordo com Antonio Lavareda, o barómetro revela que as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão fortemente ligadas à qualidade dos serviços públicos e as condições de inserção económica.

Num segundo patamar surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico, concluiu o cientista polítiuco.

O estudo do Barómetro da Lusofonia realizou cinco mil 688 entrevistas Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe), Brasil, Timor Leste e Portugal, todos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O estudo não abrangeu a Guiné Equatorial, o nono membro da CPLP.

O Barómetro conta com apoio e participação da CPLP, da Associação das Universidades de Língua Portuguesa), do PNUD, do Ministério da Cultura do Brasil, assim como de fundações, universidades e institutos de vários países lusófonos.

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