Hospital Pedalé realiza primeiro tratamento invasivo vascular cerebral
Luanda - O Complexo Hospitalar General de Exército Pedro Maria Tonha “Pedalé” realiza, desde segunda-feira, o primeiro procedimento de tratamento minimamente invasivo de patologias vasculares cerebrais na rede pública de saúde em Angola.
Este marco histórico representa o início de um projecto nacional de Neurorradiologia de Intervenção, permitindo que tratamentos complexos, anteriormente realizados no exterior, passem a ser executados no país, com ganhos significativos em termos técnicos, clínicos, financeiros e pedagógicos, avança um comunicado de imprensa do Ministério da Saúde, citado pelo JA Online.
O procedimento foi liderado pelo neurorradiologista brasileiro e presidente honorário da Associação Brasileira de Neurorradiologia, Clayton Carlos, em colaboração com especialistas angolanos, nomeadamente o chefe do Serviço de Neurocirurgia do CHGEPMTP, Wilson Teixeira, e o chefe do Serviço de Radiologia, Celestino Delgado.
A equipa realizou intervenções em aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e fístulas arteriovenosas, recorrendo a técnicas avançadas de abordagem endovascular minimamente invasiva, que reduzem riscos cirúrgicos, o tempo de internamento e proporcionam uma recuperação mais rápida aos pacientes.
Redução de custos
Até ao momento, o Estado angolano suportava custos médios superiores a 200 mil dólares norte-americanos por paciente, incluindo evacuação sanitária, transporte, internamento e subsídios, o que, para 12 casos, representava aproximadamente 2,4 milhões de dólares.
Com a implementação deste serviço no CHGEPMTP, refere a nota, o investimento estimado para esta primeira fase é de cerca de 50 milhões de kwanzas, traduzindo-se numa poupança superior a 75% para os cofres públicos, além de permitir que os doentes permaneçam próximos das suas famílias durante o tratamento.
Nesta fase inicial, estão programadas 12 intervenções, abrangendo diagnósticos e tratamentos de elevada complexidade, em pacientes com idades compreendidas entre os 10 e os 60 anos, com protocolos ajustados ao perfil clínico e à faixa etária de cada caso.
A iniciativa enquadra-se no Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde, financiado pelo Banco Mundial e coordenado pela Unidade de Implementação do Projecto (PFRHS-UIP).