Angola e Namíbia juntas em ofensiva transfronteiriça contra a pólio
Luanda - O município fronteiriço de Namacunde, na província do Cunene, registou, esta quarta-feira, uma mobilização política, técnica e comunitária para travar a circulação do poliovírus variante tipo 2, com o lançamento oficial da campanha sub-nacional de vacinação contra a poliomielite, sincronizada entre Angola e Namíbia.
Segundo uma nota de imprensa, o acto foi presidido pela ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, que esteve ladeada pelo vice-governador da província do Cunene para o Sector Político, Social e Económico, Apolo Ndinoulenga, membros do Governo Provincial, numa cerimónia marcada por apelos à mobilização total das comunidades para que nenhuma criança fique por vacinar.
Marcaram também presença a directora nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, administradores municipais, autoridades tradicionais e representantes do Executivo namibiano, numa demonstração clara de unidade institucional e cooperação transfronteiriça face a uma ameaça sanitária comum.
Pela parte namibiana esteve Rober Nandjila, em representação da ministra da Saúde da Namíbia, que realçou o simbolismo da iniciativa conjunta numa região onde as comunidades mantêm laços históricos, culturais e familiares.
Por seu lado, a ministra Sílvia Lutucuta destacou o empenho do governo provincial do Cunene no reforço da vigilância epidemiológica e na mobilização comunitária, numa região considerada estratégica pela extensa fronteira que partilha com a Namíbia.
A estratégia será predominantemente porta a porta, mobilizando profissionais de saúde, técnicos de cadeia de frio, mobilizadores sociais, voluntários, forças de defesa e segurança e líderes comunitários.
“Enquanto houver poliovírus em qualquer parte do mundo, todas as crianças permanecem em risco. Precisamos que nenhuma casa fique por visitar e nenhuma criança por vacinar", referiu a ministra da saúde, sublinhando que a erradicação da pólio constitui uma “responsabilidade histórica e colectiva”.
A governante lembrou que Angola eliminou o poliovírus selvagem em 2011, com certificação oficial em 2015, mas advertiu que a circulação de variantes continua a ameaçar os ganhos alcançados. Em 2025, o sistema nacional de vigilância detectou 24 casos de poliovírus variante tipo 2 em sete províncias.
No mesmo período, a Namíbia identificou o vírus numa amostra ambiental no distrito de Rundu, geneticamente ligada aos casos angolanos, facto que reforçou a necessidade de uma resposta coordenada e sincronizada entre os dois países.
“As doenças não têm fronteiras”, afirmou Rober Nandjila, defendendo que a acção conjunta permite optimizar recursos, reforçar a partilha de experiências técnicas e garantir que todas as crianças ao longo da linha fronteiriça sejam protegidas.
O lançamento da campanha contou ainda com a presença do representante da Organização Mundial da Saúde em Angola, Indrajit Hazarika, bem como de representantes do UNICEF, da GAVI, da Fundação Bill e Melinda Gates e do Rotary International, parceiros que asseguram apoio técnico e financeiro à campanha.
O Executivo apelou à colaboração das comunidades para facilitarem o acesso das equipas às residências durante os quatro dias da campanha.
Com forte presença institucional, envolvimento comunitário e cooperação internacional, Angola e Namíbia enviam uma mensagem inequívoca: a luta contra a poliomielite é regional, coordenada e centrada nas pessoas.
A campanha decorre até ao dia 27 do mês em curso, e tem como meta vacinar cerca de 230 mil crianças até aos 10 anos de idade, em 13 municípios das províncias do Cunene, Cuando, Cubango e Namibe.