Programas de alimentação escolar são cruciais para educação e nutrição em África
Luanda - A Embaixadora de Angola na Itália, Josefa Sacko, sublinhou, esta quarta-feira, em Roma, que os programas de alimentação escolar são cruciais para o avanço da educação, nutrição, agricultura, desenvolvimento rural e igualdade de género no continente africano.
Josefa Sacko interviu na cerimónia sobre o Dia Africano da Alimentação Escolar, realizada sob o lema “Fortalecendo a aprendizagem por meio de refeições escolares nutritivas e saudáveis produzidas localmente”, à margem da primeira sessão ordinária do Conselho Executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM).
Salientou que os programas de aliemtnação escolar criam oportunidades de mercado para pequenos agricultores, especialmente em áreas rurais, que passam a beneficiar de acesso melhorado a mercados mais estáveis.
Josefa Sacko, igualmente representante permanente de Angola junto das agências das Nações Unidas em Roma, afirmou que as mulheres, especialmente as que detêm micro, pequenas e médias empresas, beneficiam também ao prestarem serviços, no quadro dos referidos programas.
A título de exemplo, Josefa Sacko socorreu-se de dados recentes do PAM que indicam que a alimentação escolar está a expandir-se pela África subsaariana, tendo o número de crianças que recebem refeições escolares aumentado de cerca de 66 milhões, em 2022, para 87 milhões, em 2024.
Revelou que muitos governos africanos estão a assumir a liderança dos programas de alimentação escolar, passando da dependência da ajuda externa para iniciativas internas, com integração nos orçamentos nacionais.
Entre os países que realizaram progressos citou os casos da Etiópia, Rwanda, Madagáscar, Chade, Kenya e Uganda que mobilizaram as comunidades, especialmente mulheres agricultoras, para produzir alimentos ricos em nutrientes, como feijão e batata-doce.
Sublinhou, por exemplo, que no Benim as compras do governo para refeições escolares foram de mais de 23 milhões de dólares no mercado local, em 2024, enquanto na Serra Leoa as autoridades adquiriram mais de um terço das refeições escolares a pequenos agricultores locais, tendo fortalecido os sistemas alimentares e apoiado a resiliência económica.
Acresentou que, em termos de adopção de políticas, 48 dos 55 países africanos estão comprometidos em programas do género, sendo um incentivo para as crianças de famílias em situação de insegurança alimentar, cujas evidências se traduzem na redução das taxas de abandono escolar e um melhor desempenho académico.
A diplomata angolana defendeu a nececessidade de se aumentar o financiamento e sustentabilidade, uma vez que muitos programas ainda dependem de ajuda externa e financiamento de doadores, assim como é necessário melhorar as infra-estruturas como cantinas e cozinhas.