RECURSOS MARINHOS

Lançada obra sobre espécies marinhas de Angola

Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, prestigia lançamento de obra científica sobre espécies marinhasImagem: Edições Novembro

21/03/2026 11h14

Luanda – Um livro científico, intitulado “Espécies Marinhas mais Frequentes na Costa Angolana”, elaborado pela Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, e Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, foi lançado, esta sexta-feira, em Luanda.

Na ocasião, a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, afirmou que a temática dos oceanos assumiu, nas últimas décadas, uma nova visibilidade na agenda política internacional, sublinhando que os sectores dos transportes, mineração, petróleo e gás, turismo costeiro, aquacultura, biotecnologia e energias renováveis podem potenciar o crescimento da economia marítima tradicional.

Destacou que tais sectores podem fomentar o emprego e contribuir para o desenvolvimento sustentável, reconhecendo que cresceu a preocupação global com a protecção, conservação e a sustentabilidade dos oceanos, face às crescentes ameaças do impacto das alterações climáticas, acidificação, redução dos recursos pesqueiros, perda da biodiversidade e degradação de habitats, em particular corais e ecossistemas costeiros de mangais.

No domínio económico, Esperança da Costa deu a conhecer que Angola retira benefícios significativos do mar e dos oceanos, representando cerca de 80 por cento do rendimento nacional as actividades marítimas, fluviais e lacustres.

Sublinhou que, além do petróleo e gás, o país desenhou uma estratégia de diversificação económica que inclui vários pilares, entre os quais os sectores da pesca, aquicultura e sal, assim como o turismo costeiro.

Destacou ainda as áreas dos transportes e logística portuária, aliado ao comércio e serviços, como aglomerados importantes para contribuírem para o Produto Interno Bruto Nacional (PIB).

Considerou o livro uma compilação de descobertas científicas, um convite à reflexão, um apelo à acção e um testemunho dos autores, que partilham a riqueza faunística do país para maior conhecimento, visando a sua preservação e prossecução dos objectivos nacionais sobre a conservação da biodiversidade.

Segundo Esperança da Costa, a obra enquadra-se no processo de elaboração e implementação da Estratégia Nacional da Biodiversidade Marinha, em consonância com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e a 2063 da União Africana e em alinhamento com as metas do Programa de Ordenamento do Espaço Marinho e Saúde do Ecossistema, constantes do Plano de Desenvolvimento Nacional (2023-2027), bem como com o Programa Estratégico de Acção da Convenção da Corrente de Benguela.

Com 214 páginas, distribuídas por sete capítulos, a obra, redigida em português e inglês, reúne 106 de espécies documentadas, num contributo relevante para a ciência e conservação marinha em Angola.

Por seu lado, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen do Sacramento Neto, informou que o livro tem uma tiragem de dois mil exemplares, com distribuição gratuita pelas universidades angolanas, para fins académicos e de investigação.

Adiantou que a obra foi prefaciada pelo Presidente da República, João Lourenço, e constitui um marco para o reforço do conhecimento científico nacional.

Na elaboração da obra, adiantou, estiveram envolvidos o Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha, em parceria com a Direcção Nacional para os Assuntos do Mar e Economia Azul, universidades nacionais e a Convenção da Corrente de Benguela.

De acordo com Carmen do Sacramento Neto, o livro identifica e caracteriza 106 espécies marinhas, entre peixes pelágicos e demersais, crustáceos, moluscos e espécies em risco de extinção, estabelecendo uma linha de base científica sobre a biodiversidade da costa angolana, influenciada pela Corrente de Benguela.

Na ocasião, destacou o contributo de Esperança da Costa, que, à época do desenvolvimento da obra, exercia funções como secretária de Estado das Pescas, e, como co-autora, confere à publicação relevância científica e institucional.

Entre as documentadas, é dedicada especial atenção as espécies ameaçadas existentes na costa angolana, com destaque para o manatim africano (Trichechus senegalensis), três espécies de tartarugas marinhas (Caretta caretta, Chelonia mydase Lepidochelys olivacea), várias espécies de tubarões e raias, bem como aves marinhas, como o alcatraz-do-cabo e a gaivina-de-damara.

As espécies de valor comercial, entre as quais carapau branco, sardinela, atum, pescadas, garoupas e camarão real, constam igualmente da publicação, que apresenta dados considerados essenciais para a gestão sustentável da pesca em Angola.

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