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Papa Leão XIV manifesta solidariedade com povo de Benguela

Papa Leão XIV discursa em encontro em Luanda
Papa Leão XIV discursa em encontro em Luanda Imagens: Edições Novembro

Redacção

Publicado às 20h46 18/04/2026 - Actualizado às 20h52 18/04/2026

Luanda - O Papa Leão XIV mostrou-se, este sábado, em Luanda, solidário com as vítimas das fortes chuvas e inundações que atingiram a província de Benguela, e que provocaram o transbordo do rio Cavaco.

Ao intervir no encontro que manteve com membros do Executivo, liderados pelo Presidente da República, João Lourenço, corpo diplomático acreditado em Angola, representantes da sociedade civil e bispos, o Santo Padre referiu estar conectado com o povo de Benguela em oração.

O Sumo Pontífice expressou a sua proximidade com as famílias que perderam ente-queridos, suas casas e outros bens.

Enalteceu a união dos angolanos na corrente de solidariedade a favor dos atingidos, e afirmou que “o povo angolano é como um peregrino que procura os sinais da passagem de Deus por esta terra que ele ama”.

Ao longo da sua intervenção, referiu que constatou que os angolanos possuem tesouros que não se vendem nem se roubam, pelo facto de “possuírem uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir".

Sublinhou ainda que a alegria do povo angolano, que também conhece a dor, indignação, desilusões e derrotas, resiste e reergue-se entre aqueles que mantiveram o coração e a mente livres do engano da riqueza.

Na ocasião, destacou a importância da união entre os angolanos como caminho essencial para a construção de um país mais justo e promissor, enfatizando que “juntos podemos fazer de Angola um projecto de esperança”.

Abençoou o país, e desejou que Angola continue a trilhar um caminho de esperança, solidariedade e desenvolvimento, reconhecendo o papel histórico da Igreja Católica no país, realçando que a instituição deseja continuar a ser “fermento na massa” para contribuir no desenvolvimento de uma sociedade baseada na justiça, dignidade humana e liberdade.

Alertou para os riscos de modelos sociais marcados por desigualdades e influências de elites económicas que promovem “falsas alegrias”, e enfatizou que o progresso de Angola depende do aproveitamento dos talentos de todo o seu povo, incluindo aqueles que vivem nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas.

Segundo o Sumo Pontífice, é nesses espaços que “pulsa a vida e se prepara o futuro” da Nação, tendo apelado ainda a remoção de obstáculos ao desenvolvimento humano integral, incentivando os cidadãos a lutar com esperança, mesmo diante de rejeições e dificuldades.

Inspirando-se na tradição cristã, recordou que “a pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular”, numa referência a Jesus Cristo como símbolo de redenção e plenitude.

Enfatizou que a alegria intensifica a vida, fortalece as relações humanas e impulsiona o compromisso com o bem comum, e sublinhou que o reconhecimento da dignidade de cada pessoa é fundamental para a construção de comunidades mais inclusivas e solidárias.

Considerou que valores como alegria, interioridade, encontro e justiça são indispensáveis para a renovação social e política, realçando que “sem alegria não há renovação, sem interioridade não há libertação, sem encontro não há política, sem o outro não há justiça”.

Por outro lado, defendeu a necessidade urgente de África superar situações de conflitualidade e inimizade, sublinhando que o diálogo e a convivência são essenciais para o florescimento da vida social, política e económica no continente.

Na sua mensagem, afirmou que os conflitos têm vindo a dilacerar o tecido social e político de vários países africanos, e contribuem para o aumento da pobreza e exclusão social, vincando que "somente no encontro a vida floresce. No princípio está o diálogo".

Ao recordar o Papa Francisco, destacou haver três formas de lidar com os conflitos, nomeadamente ignorá-los, ser por eles dominados ou enfrentá-los de forma construtiva, e defendeu que a terceira via, aceitar o conflito, suportá-lo, resolvê-lo e transformá-lo num novo processo de ligação é a mais adequada. 

Encorajou as autoridades angolanas a valorizarem a diversidade como riqueza nacional, apelando a inclusão das diferentes visões sociais, sobretudo dos jovens e dos mais velhos, sem medo das divergências.

“Não temeis as divergências nem extingais os sonhos. Sabei gerir os conflitos, transformando-os em caminhos de renovação”, afirmou, sublinhando a importância de colocar o bem-comum acima dos interesses particulares.

Advertiu ainda contra tendências de polarização e desconfiança, referindo que tais práticas fragilizam a coesão social e promovem o desânimo, e frisou que a verdadeira alegria é uma força que impulsiona a vida comunitária e combate a resignação.

Lamentou que a manipulação do medo, da desconfiança e da polarização seja utilizada como mecanismo político em diversos contextos, mas sublinhou que a esperança e a alegria são fundamentais para a construção de sociedades mais justas e fraternas.

No domingo (19), o Santo Padre celebra uma missa, na Centralidade do Kilamba, e, no período da tarde, desloca-se de helicóptero a Muxima, na província do Icolo e Bengo, para o Santuário da Muxima e rezar o rosário com os fiéis, assim como dirigir uma mensagem aos jovens.

A agenda da visita a Angola inclui uma deslocação a Saurimo, província da Lunda Sul, na segunda-feira (20), onde vai visitar uma instituição de acolhimento de idosos e celebrar uma missa, antes de regressar a Luanda.

ao fim do dia 20, está previsto um encontro com bispos, sacerdotes, consagrados e agentes pastorais, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

Na terça-feira (21) o Santo Padre deixa Angola com destino a Guiné Equatorial, última etapa do seu périplo por África, que já contemplou visitas a Argélia e Camarões.

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