IGREJA CATóLICA
Papa diz que Angola precisa de uma igreja que saiba reavivar a esperança perdida
19/04/2026 12h29
Luanda - O Papa Leão XIV afirmou, este domingo, durante a missa dominical que dirigiu na Centralidade do Kilamba, em Luanda, que "Angola precisa de uma igreja que saiba reavivar a esperança perdida".
Defendeu a necessidade de uma igreja mais próxima das populações, capaz de escutar o sofrimento e responder de forma concreta aos desafios sociais e económicos que Angola enfrenta.
Segundo disse, Angola precisa de bispos, sacerdotes, missionários religiosos e religiosas, leigos e leigas que tenham no coração o desejo de partilhar a sua vida e doar uns aos outros, de se empenhar no amor e perdão mútuos e de construir espaços de fraternidade e paz.
"Precisámos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça", enfatizou o Santo Padre.
O Papa Leão XIV sublinhou que só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os jovens que a perderam, realçando que “hoje é necessário olhar para o futuro com esperança”.
Na sua homilia, o Santo Padre sublinhou que o momento actual exige uma comunidade cristã mais activa e comprometida, formada por fiéis dispostos a doar-se ao próximo e a promover valores como o amor, perdão, paz e fraternidade.
Frisou que “a história de Angola, as consequências ainda difíceis que suportais, os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza exigem a presença de uma igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos”.
Salientou que a igreja deve ser a luz da palavra e o alimento da eucaristia, bem como saber reavivar a esperança perdida, “uma igreja feita de pessoas como vós que se doam tal como Jesus para os seus discípulos”.
Dirigindo-se particularmente a Bispos, sacerdotes, missionários e leigos, apelou ao reforço de acções solidárias, com especial atenção às camadas mais vulneráveis, seguindo o exemplo de Cristo no cuidado com os mais necessitados.
Destacou ainda que a esperança cristã deve ser vivida como uma força concreta de transformação da sociedade capaz de inspirar atitudes de justiça, solidariedade e compromisso com o bem comum, mesmo perante as dificuldades do presente.
Disse que “as formas de religiosidade tradicional que certamente pertencem às raízes de vossa cultura, mas que ao mesmo tempo correm o risco de confundir e misturar elementos mágicos e supersticiosos não ajudam no caminho espiritual”.
Por isso, apelou aos fiéis que sigam o caminho que a Igreja ensina, e exortou a que “confiei nos vossos pastores e mantenha o olhar fixo em Jesus que se revela especialmente na palavra e na Eucaristia”.