AMBIENTE
Investigação alerta para risco de emergência sanitária no Moxico
22/04/2026 12h40
Luanda - Uma investigação científica do Instituto Superior Politécnico do Moxico alerta para a degradação acelerada dos rios na cidade do Luena (província do Moxico), onde fontes essenciais de água enfrentam níveis críticos de poluição, com risco de uma emergência sanitária.
Segundo o estudo, divulgado esta terça-feira, a situação pode evoluir rapidamente para uma crise de saúde pública e afectar milhares de famílias.
O relatório, intitulado “Contaminação das Águas Fluviais na Cidade do Luena: Causas, Impacto e Estratégias de Mitigação”, descreve um cenário marcado pelo crescimento urbano desordenado e ausência de infra-estruturas básicas, factores que estão a comprometer os cursos de água da região.
Os investigadores apontam que a contaminação resulta sobretudo da falta de saneamento, que leva à descarga directa de esgotos domésticos nos rios, bem como do despejo de resíduos industriais e agrícolas sem controlo.
A erosão acelerada, que é um problema persistente na província do Moxico, agrava ainda mais a situação, ao provocar o assoreamento dos rios e dificultar a captação de água que, para os moradores do Luena, tem efeitos evidentes.
A água distribuída para o consumo humano chega frequentemente turva e com resíduos, pelo que leva muitas famílias a ferver o líquido antes do consumo, adianta o estudo, divulgado pela Angop.
O estudo estabelece uma ligação directa entre a má qualidade da água e o aumento de doenças como cólera, diarreia e hepatite, alertando para o risco de uma emergência sanitária caso não haja intervenção urgente.
A investigação destaca ainda o papel das instituições académicas na resposta a desafios sociais.
O Instituto Superior Politécnico do Moxico defende investimentos imediatos em saneamento básico e uma fiscalização mais rigorosa das actividades nas margens dos rios como medidas essenciais.
Apesar de iniciativas governamentais, como o Projecto de Desenvolvimento Institucional do Sector das Águas, destinadas a ampliar o acesso à água potável, os investigadores sublinham que, sem a protecção directa das fontes fluviais, o problema vai persistir.
As autoridades locais enfrentam agora o desafio de conciliar o crescimento urbano com a preservação ambiental.
O estudo deixa claro que, sem uma acção coordenada e imediata, os rios que sustentam o Luena poderão deixar de ser uma fonte de vida e tornar-se um risco para a saúde pública.