ACORDO
Assinado acordo entre Angola e Namíbia no domínio da interligação digital
24/04/2026 14h04
Luanda - A Angola Telecom (AT) e a Telecom Namíbia (TN) assinaram, quinta-feira, na cidade de Swakopmund, um memorando de entendimento e um acordo comercial que formalizam uma parceria estratégica para a interligação digital dos dois países, através de um cabo submarino integrado no Sistema Regional de Cabos Submarinos da África Austral (SARSSY).
O projecto, cujos subscritores foram Adilson Miguel dos Santos, presidente do Conselho de Administração (PCA) da Angola Telecom, e Stanley Shanapinda, director executivo da Telecom Namíbia, prevê a ligação entre os dois países por meio de múltiplos pontos de aterragem em território angolano, incluindo o desenvolvimento de infra-estruturas de suporte, como salas técnicas e sistemas de capacidade, com o objectivo de reforçar a conectividade digital bilateral.
Compromisso
A cerimónia foi testemunhada pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) de Angola, Mário Oliveira, que concluiu no mesmo dia uma visita de trabalho e pela homóloga namibiana, Emma Theofelus, simbolizando o compromisso político de ambos os países no fortalecimento da cooperação no Sector.
Segundo Mário Oliveira, citado pelo JA Online, trata-se de um projecto estratégico apoiado pelos Governos dos dois países, que permitirá à Angola Telecom utilizar a estação de aterragem da Telecom Namíbia através de um cabo submarino internacional, enquanto a operadora namibiana passa a ter acesso ao futuro cabo submarino doméstico angolano.
O governante destacou que, com esta interligação, a Namíbia passa a beneficiar do acesso a importantes sistemas internacionais que chegam à Luanda, como o WACS e o SACS, ampliando a sua ligação com o resto do mundo.
Impacto regional
O ministro Mário Oliveira sublinhou que o projecto reflecte uma decisão política clara de reforçar a cooperação bilateral no domínio das infra-estruturas digitais, consideradas fundamentais para o desenvolvimento económico, a integração regional e o posicionamento estratégico dos países.
O memorando estabelece as bases para o desenvolvimento de um cabo submarino regional com impacto directo na conectividade internacional, segurança das comunicações e competitividade económica, alinhando-se com as prioridades da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com os objectivos da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) e da Agenda 2063.
Entre os principais benefícios destacam-se a criação de rotas alternativas de ligação internacional, o aumento da resiliência das redes, a redução dos custos de conectividade e o reforço da interligação regional, incluindo países sem acesso ao mar, como a Zâmbia, Botswana, Zimbabwe e República Democrática do Congo.
Memorando de entendimento reforça soberania tecnológica
Mário Oliveira salientou que o memorando se insere numa estratégia baseada em três pilares: aumento da capacidade, expansão da cobertura e reforço da soberania digital, complementada pelo desenvolvimento da rede de fibra óptica terrestre e pela utilização de tecnologias de satélite.
Por sua vez, a ministra da Comunicação e Tecnologias de Informação da Namíbia, Emma Theofelus, considerou que a assinatura representa uma escolha estratégica para moldar o futuro digital da região, sublinhando que a conectividade deixou de ser um luxo para se tornar essencial ao crescimento económico, inclusão social e integração regional.
Realçou o papel das acções de continuidade de investimento da Namíbia em infra-estruturas digitais como base para a Quarta Revolução Industrial, permitindo maior capacidade, velocidade e fiabilidade nas comunicações.
Visão empresarial
O presidente do Conselho de Administração ( PCA) da Angola Telecom, Adilson Miguel dos Santos, afirmou que o memorando materializa uma visão estratégica comum orientada para a construção de uma infra-estrutura digital robusta e resiliente.
Já o responsável da Telecom Namíbia, Stanley Shanapinda, considerou o acordo um passo decisivo para o reforço da conectividade na região, defendendo mais investimento em cabos submarinos.
O sistema SARSSY afirma-se como uma infra-estrutura crítica para a costa ocidental africana, potenciando a conectividade regional e internacional, salientou.
A parceria, disse, vai transformar a proximidade geográfica entre Angola e a Namíbia numa vantagem competitiva.
O projecto entra agora numa fase técnica que inclui estudos de viabilidade, definição de rotas, estruturação de investimento e alinhamento regulatório.
Com esta iniciativa, os dois países reforçam o seu posicionamento como hubs digitais regionais, contribuindo para uma África mais conectada, resiliente e competitiva.