Defendido ensino de qualidade para crianças desfavorecidas
Luanda - O presidente da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Educação, Cultura e Desporto da Comunidade dos Países de Língua Ofical Portguesa (CPLP-SE) em Angola defendeu, terça-feira, que as crianças desfavorecidas merecem uma educação de qualidade e mais inclusiva, tendo em conta a sua condição social.
Adriano dos Santos fez estas declarações em Benguela, segundo notícia do JA Online, durante a abertura da Conferência Organizacional da Confederação Sindical da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP-SE), que decorre, desde ontem, no Lobito, sob o lema “O Sindicalismo docente na lusofonia: responder aos desafios de hoje”.
Na abertura da actividade, que termina sexta-feira, o responsável disse que as superpotências do mundo, principalmente os países industrializados, tendem a fazer com que a educação pública perca qualidade cada vez mais em detrimento do sector privado.
Na sua opinião, a tendência desses países é transformar a educação em comércio. Por isso, prosseguiu, defende-se a necessidade de se prevenir essa situação e não permitir que a educação seja comercializada.
Disse que as políticas educacionais dos países têm de ser consistentes em prever orçamentos que façam com que a escola seja para todos. "O mais pobre precisa de ter no mínimo uma boa instrução", defendeu.
“E nós como professores e sindicatos do sector da Educação temos o papel de defender esse direito que assiste a qualquer pessoa humana. Somos formadores de pessoas”, afirmou.
O responsável referiu que o professor sindicalista tem mais espaço para defender o desfavorecido e fazer vincar a sua voz.
Adriano dos Santos destacou que, durante a conferência, os participantes vão trocar experiências importantes sobre matérias novas para depois serem multiplicadas nos países onde estiverem inseridos.
Por essa razão, disse ser preciso que os países da CPLP estejam cada vez mais consolidados nesses passos, pelo facto de o mundo de hoje ter tendência de dividir as nações entre as mais pobres e as mais ricas.
Fortalecimento da acção no país
O secretário-geral da Confederação Sindical da Educação dos Países de Língua Portuguesa, Heleno Araújo, sublinhou que essa troca de experiências ajuda a fortalecer a acção local existente nos países lusófonos.
Afirmou que a partir desta formação os professores da CPLP vão estar mais fortalecidos, preparados para ampliar a sua mobilização e marcharem juntos para uma paz tão precisa neste mundo.
A Confederação Internacional, explicou, nos últimos anos está a realizar encontros bem específicos iniciados em Portugal com a realização do Congresso da organização, depois no Brasil, onde decorreu o encontro paralelo aos países do G20 e seguidamente a reunião do Fórum da CPLP Oficial promovida na Guiné-Bissau.
Em Angola, realçou, trata-se do IV encontro de uma conferência de forma específica. “Estamos a rodar os países, buscando essa integração entre os países de língua portuguesa que envolve três continentes, no sentido de socializar as nossas dificuldades, lutas comuns e também termos uma pauta específica para os países que falam a mesma língua”, frisou.
A conferência, informou, está focada nas questões educacionais, salariais, condições de trabalho, direito à educação para todas as pessoas, digitalização, Tecnologia, Inteligência Artificial (IA), entre outros temas actuais.
O secretário-geral fez saber que a Confederação Sindical e todas as suas entidades também estão filiadas na Internacional da Educação (IE), onde juntos da UNESCO trabalham para permitir que a relação professor e aluno seja considerada património da humanidade.
“Quando nos organizamos nacionalmente e internacionalmente, estamos preocupados com a vida das pessoas, com acesso à educação, a permanência e a conclusão dos seus estudos para que possam melhorar as suas condições de vida”, destacou. Avançou “igualmente, marchar juntos pelo direito da classe trabalhadora por uma educação pública com qualidade social e a valorização dos seus profissionais da educação”.
Participam do certame oito países de 12 entidades sindicais que congregam a Confederação Sindical da Educação dos Países de Língua Portuguesa.