SAúDE
Angola reitera compromisso na erradicação da dracunculose
22/05/2026 12h08
Luanda - A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, reiterou, quinta-feira, o compromisso de Angola com a erradicação da dracunculose, no quadro da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde.
Durante a reunião ministerial de alto nível dedicada ao combate às doenças tropicais negligenciadas, em Genebra, Suíça, a governante indicou os progressos alcançados, os desafios ainda existentes e o apoio contínuo dos parceiros internacionais no reforço da resposta nacional à doença.
O encontro reuniu ministros da saúde, representantes governamentais, organizações multilaterais, parceiros técnicos, instituições financiadoras e organizações internacionais envolvidas no combate às doenças tropicais negligenciadas.
No seu pronunciamento, Sílvia Lutucuta informou que Angola registou três casos humanos confirmados de dracunculose entre 2018 e 2020, não tendo sido reportados novos casos humanos desde então.
Apesar deste avanço significativo, o país continua a enfrentar desafios relacionados com infeções em animais, sobretudo cães domésticos.
Segundo os dados apresentados, Angola contabiliza um acumulado de 204 infecções animais até 2025, realidade que continua a exigir forte vigilância epidemiológica, coordenação multissectorial e respostas integradas ao nível comunitário.
Sublinhou que Angola mantém um firme compromisso com a erradicação da doença, em alinhamento com os esforços globais coordenados pela Organização Mundial da Saúde e parceiros internacionais.
O compromisso político do Executivo foi igualmente demonstrado através da participação ministerial na primeira Reunião de Revisão Nacional do Programa de Erradicação da Dracunculose na Guiné-Bissau, realizada em Fevereiro de 2026, em Ondjiva, bem como pelas missões ministeriais efectuadas às áreas endémicas da província do Cunene nos anos de 2023, 2024 e 2025.
Entretanto, enfatizou, aínda, a estreita colaboração entre Angola e a Namíbia, através de reuniões bilaterais regulares envolvendo autoridades nacionais e provinciais, com vista ao reforço da vigilância transfronteiriça e à harmonização das estratégias conjuntas de combate à doença.
Em resposta à situação epidemiológica, Angola reforçou as actividades de vigilância activa, mobilização comunitária e coordenação multissectorial, com apoio técnico internacional.
A ministra deu a conhecer que, em 2020, a OMS destacou uma equipa técnica para a província do Cunene, actualmente considerada o epicentro da doença no país.
A intervenção permitiu identificar aldeias de alto risco, mapear fontes de água utilizadas pelas comunidades e formar agentes comunitários de saúde para reforçar a detecção e notificação de casos.
Entre as principais medidas implementadas realce para a distribuição de filtros de água, o tratamento de fontes hídricas com larvicidas, o controlo de animais infectados, campanhas de sensibilização comunitária e investigações epidemiológicas contínuas.
De acordo com os dados apresentados, só em 2025 foram distribuídos 97.447 filtros de água para 28.254 famílias na província do Cunene. Paralelamente, 345 fontes de água foram tratadas em 57 aldeias localizadas nos municípios de Cuanhama e Namacunde.
A ministra esteve acompanhada pela directora Nacional de Saúde Pública, Helga Freitas, a consultora Diozandra Marina de Oliveira Guimarães, e de outros membros da delegação angolana.