HOSPITAL
Hospital Geral de Cacuaco afirma-se como referência em oncologia pediátrica
28/05/2026 12h35
Luanda - O Hospital Geral de Cacuaco “Heróis do Kifangondo” projecta-se como uma das principais referências nacionais no tratamento do cancro infantil, fruto do reforço da cooperação entre Angola e o Brasil no domínio da formação especializada em saúde.
De acordo com o JA Online, a constatação foi feita na quarta-feira, durante uma missão técnica conjunta do Ministério da Saúde de Angola, através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS), e da delegação brasileira de cooperação, que visitou a unidade hospitalar para avaliar necessidades estratégicas de formação e consolidar parcerias no sector.
A delegação brasileira integra especialistas da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério da Saúde do Brasil, da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), do Instituto Nacional de Câncer (INCA), universidades federais e hospitais universitários brasileiros.
O grupo encontra-se em Angola para preparar o terceiro ciclo formativo do Programa de Cooperação Angola-Brasil, previsto para 2027, segundo um comunicado de imprensa.
Durante o encontro institucional, o director-geral do Hospital Geral do Cacuaco “Heróis do Kifangondo”, Pedro da Rosa, destacou que a unidade, com apenas 22 meses de funcionamento, já se posiciona como uma infra-estrutura estratégica para o sistema nacional de saúde, sobretudo no domínio da oncologia pediátrica.
“Somos um hospital jovem, com profissionais jovens e sedentos de formação. Temos uma enorme responsabilidade nacional, sobretudo na oncologia pediátrica, porque somos referência no tratamento do cancro infantil em Angola”, afirmou.
Com capacidade para 300 camas, seis salas operatórias, 20 leitos de cuidados intensivos e um Centro de Oncologia Pediátrica de referência nacional, o hospital atende pacientes provenientes de várias províncias do país, registando actualmente uma taxa de ocupação de cerca de 98 por cento.
Durante a visita, os especialistas constataram os avanços alcançados pela unidade hospitalar em pouco tempo de funcionamento, mas também identificaram desafios ligados à formação especializada, manutenção de equipamentos e reforço dos recursos humanos.
Entre as prioridades apresentadas pela direcção hospitalar constam necessidades urgentes de formação em áreas como oncologia pediátrica, radio-oncologia, anatomia patológica, neonatologia, cuidados paliativos, medicina intensiva, ortopedia oncológica, neurocirurgia, uro-oncologia, ginecologia oncológica e eletromedicina.
O director pedagógico e científico do hospital, Paulo Salamanca, alertou para a carência de especialistas fundamentais para o diagnóstico e tratamento do cancro.
“O diagnóstico anatomopatológico é determinante para a oncologia. Precisamos de formar médicos, técnicos e equipas multidisciplinares capazes de garantir respostas rápidas e eficazes aos pacientes”, sublinhou.
No âmbito da cooperação Angola-Brasil, encontram-se actualmente em formação no Brasil seis profissionais afectos ao Hospital Geral do Cacuaco, entre médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica, em áreas estratégicas ligadas à oncologia, cuidados intensivos e ecocardiografia.
Segundo dados apresentados durante a missão, Angola conta actualmente com cerca de 800 profissionais em formação em 67 instituições públicas brasileiras de ensino e saúde, no quadro de um dos maiores programas de cooperação internacional em saúde entre os dois países.
Os representantes da delegação brasileira destacaram os resultados já alcançados pela parceria iniciada em 2018 entre o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Instituto Angolano Contra o Câncer (IACC).
“Hoje vemos aqui profissionais formados no Brasil que já lideram serviços, formam outros quadros e realizam tratamentos antes impossíveis no país. Isso demonstra que a semente plantada produziu frutos”, disse um dos especialistas brasileiros.
Os responsáveis do INCA elogiaram igualmente o crescimento estrutural e técnico do Hospital Geral do Cacuaco, sobretudo nas áreas de oncologia e cirurgia pediátrica oncológica.
Necessidades formativas
Por sua vez, o coordenador da missão angolana e gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, explicou que a visita visa realizar um levantamento real das necessidades formativas das instituições sanitárias angolanas, de modo a estruturar soluções sustentáveis e descentralizadas.
“Queremos que os professores brasileiros venham também para Angola formar mais profissionais localmente, permitindo aumentar o número de beneficiários e reforçar as capacidades das unidades hospitalares em todas as províncias”, realçou.
A missão prossegue com visitas técnicas a outras infra-estruturas sanitárias estratégicas, no quadro do levantamento nacional de necessidades para o próximo ciclo de formação especializada.