Novo Hospital dos Queimados vai ser inaugurado em Julho próximo
Luanda - O futuro Hospital dos Queimados, denominado Julius Nyerere, actualmente em fase final de construção, vai ser inaugurado na segunda quinzena de Julho próximo, anunciou, esta terça-feira, em Luanda, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.
Sílvia Lutucuta, que falava à imprensa no final da visita de constatação que o Presidente da República, João Lourenço, efectuou às obras do futuro Hospital, em construção na Centralidade do Kilamba, em Luanda, adiantou que a infra-estrutura representa um investimento de grande envergadura do Executivo e terá uma componente especializada no tratamento de queimados, associada a serviços hospitalares gerais.
“Em princípio, há um esforço muito grande do empreiteiro, um acompanhamento rigoroso do Ministério da Saúde e da fiscalização, e as obras estão a bom ritmo”, frisou a ministra.
Com capacidade para 252 camas, a unidade vai contar com serviços de elevada complexidade, incluindo três câmaras hiperbáricas, blocos operatórios modernos e unidades de cuidados intensivos preparadas para atender pacientes com queimaduras graves.
“Acreditamos que na África Subsaariana, para além da África do Sul, nós somos os primeiros. Não é só para tratar o grande queimado, mas temos outros traumas dos pilotos, dos mergulhadores e outras situações clínicas que necessitam do uso de câmara hiperbárica”, salientou.
A infra-estrutura vai integrar laboratórios, áreas de investigação científica e espaços concebidos para proporcionar conforto aos pacientes internados e aos seus familiares.
Além do tratamento clínico das queimaduras, o hospital terá uma forte componente de cirurgia reconstrutiva e cirurgia plástica, destinadas a recuperação funcional e estética dos pacientes.
“As grandes queimaduras exigem não apenas o tratamento das feridas, mas também reconstrução e enxertos para devolver a auto-estima e qualidade de vida aos pacientes”, sublinhou Sílvia Lutucuta.
Embora procedimentos de enxertos já sejam realizados no Hospital Neves Bendinha, a nova unidade vai incorporar tecnologias mais avançadas e ampliar significativamente a capacidade de atendimento especializado, enfatizou.
Sílvia Lutucuta realçou que o hospital, onde vão trabalhar numa primeira fase cerca de mil e 200 profissionais, entre médicos especialistas e internos, enfermeiros gerais e técnicos especializados, será uma unidade assistencial de nível terciário, e um centro de formação e investigação médica.
Neste âmbito, disse que Angola já possui profissionais em processo de especialização no Brasil e em Portugal, devendo receber igualmente equipas internacionais que irão apoiar a formação local de quadros.
O projecto enquadra-se no Programa Nacional de Especialização em Saúde, que prevê formar, até 2028, cerca de 38 mil profissionais de várias áreas da saúde.
“Nós vamos ter um foco muito importante naquilo que é a formação de quadros, por isso vamos fazer um grande investimento”, enfatizou.
Garantiu que o Hospital Neves Bendinha vai continuar em funcionamento, embora alguns especialistas daquela unidade venham a reforçar os serviços da nova estrutura hospitalar. “Nós temos profissionais muito bons que estão neste momento no Neves Bendinha”, salientou.
Deu a conhecer que o objectivo é criar competências nacionais na área de queimados, permitindo futuramente expandir este conhecimento para outras unidades sanitárias do país.