Angola deve preparar novos arqueólogos
Lubango – Angola deve começar a preparar novos arqueólogos para que haja uma maior articulação entre o sistema de ensino e a investigação científica, para valorizar melhor o património arqueológico nacional, sugeriu a investigadora do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa. Daniela Matos.
A posição, segundo a Angop, foi manifestada por Daniela Matos, no âmbito do projecto PaleoLeba, que desenvolve estudos arqueológicos e paleontológicos nas grutas da região da Humpata, província da Huíla.
Segundo a arqueóloga que trabalha nas escavações das grutas da Serra da Leba desde 2018, apesar do crescente interesse pelas descobertas científicas realizadas no país, ainda persiste uma insuficiência na formação especializada em áreas como arqueologia, paleontologia e conservação do património.
Considera que a falta de quadros nacionais nesses domínios representa um dos principais desafios para a continuidade das investigações e para a preservação dos sítios arqueológicos.
A especialista disse ser fundamental a criação de mais oportunidades de formação académica e prática, capazes de despertar o interesse dos jovens pelas ciências do património, pois o contacto de estudantes com actividades de campo, escavações e projectos científicos pode contribuir para atrair a juventude.
Salientou que Angola possui um património arqueológico de grande relevância, ainda pouco conhecido e estudado, que exige recursos humanos qualificados para a sua valorização.
As investigações do projecto PaleoLeba têm permitido identificar fósseis de fauna com idades entre 1,3 e 4 milhões de anos e vestígios de actividade humana datados entre 200 mil e 300 mil anos.
As grutas da Humpata, reconhecidas nos meados da década de 1940, constituem actualmente um dos mais importantes locais de investigação sobre a pré-história humana em Angola.
A investigadora defende igualmente uma maior aproximação entre escolas, universidades e centros de investigação, de modo a tornar a ciência mais acessível aos estudantes.
As campanhas de investigação na Humpata deverão prosseguir nos próximos anos, associando a produção de conhecimento científico à formação de recursos humanos especializados.