Mais de 13 mil e 500 toneladas de bens em apoio às vítimas das cheias do Cavaco
Luanda - Benguela recebeu 13 mil 566 toneladas de bens diversos doadas por diversas instituições públicas e privadas e pessoas singulares, em todo o país, para acudir as vítimas das cheias do rio Cavaco, ocorridas em Abril último.
De acordo com informação prestada, quinta-feira última, pelo porta-voz da Comissão Provincial de Protecção Civil, intendente-bombeiro Nilson César, os bens foram doados por instituições públicas, sector privado, organizações da sociedade civil, igrejas e cidadãos anónimos.
Adiantou que do total recebido, entre bens alimentares e não alimentares, cinco mil 908 toneladas foram já utilizadas no processo de assistência aos sinistrados, nos centros de acolhimento e na composição de kits distribuídos no quadro da reintegração das famílias.
Neste momento, referiu, as restantes sete mil 657 toneladas de bens diversos encontram-se em armazéns, para apoiar as famílias em processo de reintegração e assistir as vítimas que ainda se encontram no único centro de acolhimento ainda activo, no novo campismo.
Relativamente as doações financeiras, revelou que foram arrecadados 57 milhões 223 mil 535 kwanzas, dos quais 45 milhões 260 mil 219 kwanzas foram aplicados em despesas, estando disponível um saldo de 11 milhões 963 mil 315 kwanzas, a ser aplicado na continuidade das acções de recuperação e apoio às famílias sinistradas.
Deu a conhecer que, depois da revisão dos dados inicialmente recolhidos, constatou-se a existência de seis mil 837 famílias que, por diversas razões, não haviam sido contempladas no processo de cadastramento inicial, o que levou as equipas técnicas a actualizarem os registos para assegurar maior rigor estatístico e inclusão das famílias efectivamente afectadas.
Reintegração das famílias
Estabilizada a fase de emergência, adiantou, iniciou-se, a 24 de Abril último, a reintegração gradual das vitimas, nas respectivas comunidades de origem ou em locais considerados seguros, processo que já beneficiou 10 mil 146 famílias.
De acordo com o porta-voz, o processo de reintegração continua a decorrer de forma faseada, e obedece a critérios de segurança, habitabilidade e disponibilidade de condições mínimas para o regresso das famílias às suas áreas de origem.
Revelou que, numa resposta célere a salvaguarda dos direitos dos afectados, já foram emitidos mais de 400 novos bilhetes de identidade para aqueles cidadãos afectados pelas cheias que perderam os seus documentos.
Relativamente as 31 pessoas dadas como desaparecidas, garantiu que as autoridades dispõem dos seus elementos de identificação, contactos de familiares e locais dos bairros onde residiam, e as equipas competentes continuam a acompanhar a situação, aguardando a conclusão formal dos procedimentos de busca e verificação.
“Após o encerramento oficial das operações de busca, os casos que não venham a ser esclarecidos passarão a integrar o registo de pessoas desaparecidas, em conformidade com os procedimentos legais estabelecidos”, realçou.
Paralelamente às ações de assistência humanitária e reintegração das famílias, precisou que o Executivo continua a implementar medidas estruturantes destinadas a recuperar as áreas afectadas e a criar soluções habitacionais permanentes para os cidadãos que perderam as suas residências.
Neste âmbito, destacou a aprovação, por Decreto Presidencial de Maio último, do projecto para a construção de 725 residências no município de Benguela, e anunciou para breve o início da montagem dos estaleiros para a construção das habitações sociais.
Recorde-se que as cheias provocadas pelo transbordo do rio Cavaco, que afectaram vários bairros e parte da cidade de Benguela, no dia 12 de Abril último, causaram 19 mortos, 51 feridos, 31 desaparecidos, além de 16 mil 151 famílias desalojadas.
Os dados oficiais apontam ainda para a destruição de mil 570 casas, além de três mil 873 residências danificadas e mais de três mil 105 habitações inundadas pelas enxurradas.