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Governo lança em Luanda projecto de gestão de resíduos sólidos

Lançamento do projecto de gestão de resíduos sólidos em Luanda
Lançamento do projecto de gestão de resíduos sólidos em Luanda Imagens: Edições Novembro

Redacção

Publicado às 12h16 18/06/2026 - Actualizado às 12h16 18/06/2026

Luanda - O Governo de Angola procedeu, quarta-feira, em Luanda, ao lançamento do “Projecto de apoio à modernização da cadeia de valor de gestão de resíduos sólidos e adopção de um modelo de economia circular”, uma iniciativa que conta com o suporte financeiro e técnico da União Europeia (UE), em coordenação com as embaixadas da França, Portugal e Espanha.

A iniciativa, de acordo com o JA Online, com duração de quatro anos, está orçado em 25,3 milhões de euros e visa adoptar uma viragem estratégica na abordagem ambiental da província de Luanda, convertendo o desafio do saneamento numa janela de oportunidade económica.

O projecto tem ainda como foco central a estruturação de um ecossistema que privilegie a prevenção, redução da produção de detritos, introdução de tecnologias ambientais limpas e a inserção digna dos catadores no mercado de trabalho formal.

Na ocasião, a ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho, que procedeu a abertura do acto de lançamento, sublinhou a “urgência global” em romper com o modelo económico linear, caracterizado pela extracção contínua, produção e o descarte massivo após a utilização.

A governante referiu que a transição rumo a um modelo circular, representa um indicador essencial de maturidade e progresso social.

Sob esta nova óptica, disse, os subprodutos industriais e domésticos que outrora sobrecarregavam as lixeiras passam a servir de matéria-prima para novas indústrias de reciclagem, fechando o ciclo produtivo e aliviando a pegada de carbono da capital.

Disse que a dependência histórica de plásticos descartáveis gerou custos ambientais em acumulados severos, ameaçando ecossistemas terrestres, hídricos e marinhos devido à proliferação de microplásticos, afirmou.

Envolvimento

A ministra do Ambiente apelou, ainda, ao envolvimento coordenado entre o sector público, empresas privadas, a sociedade civil e a população em geral.

“O sucesso desta iniciativa dependerá de um compromisso colectivo intransigente, capaz de transformar os maiores passivos ambientais de Luanda, num legado de sustentabilidade e resiliência urbana para as gerações vindouras”, frisou.

A embaixadora da União Europeia em Angola, Rosário Bento Pais, referiu que o sucesso desta transição depende do esforço coordenado de todas as franjas da sociedade.

O Governo, prosseguiu, vai ter o papel de definir políticas consistentes e transparentes para assegurar a execução eficaz, mas o sector privado entra com soluções inovadoras, onde a sociedade civil participa de forma activa.

Rosário Bento Pais realçou que com esta “forte parceria”, Angola assume a ambição de se afirmar, a médio e longo prazos, como uma das principais referências do continente africano na gestão sustentável de resíduos e na transição para uma economia circular, convertendo os actuais desafios ambientais em reais oportunidades económicas para as futuras gerações.

Valorização

Um dos eixos mais marcantes do programa é o foco na vertente social, especificamente na valorização do sector informal.

A iniciativa reconhece, ainda, o papel crucial desempenhado por milhares de catadores em Angola que, diariamente, garantem o sustento das suas famílias em condições de elevada vulnerabilidade.

O “Projecto de apoio à modernização da cadeia de valor da gestão de resíduos sólidos e adopção de um modelo de economia circular” prevê a consolidação de políticas de obrigatoriedade de elaboração e certificação dos planos institucionais de gestão de resíduos, controlo rigoroso e licenciamento de operadores do sector, assim como a melhoria na aplicação da taxa de limpeza e saneamento urbano.

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