Sociedade

Sociedade


PUBLICIDADE

Metade da população angolana tem menos de 18 anos

Participantes na cerimónia de apresentação do relatório sobre o perfil da criança
Participantes na cerimónia de apresentação do relatório sobre o perfil da criança Imagens: Angop

Redacção

Publicado às 11h04 24/06/2026 - Actualizado às 11h04 24/06/2026

Luanda- Cerca da metade da população angolana é composta por crianças e adolescentes dos 0 aos 17 anos de idade, de acordo com os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (IIMS 2023- 2024).

Os dados apresentados terça-feira, em Luanda, pela directora de Estatísticas Demográficas e Sociais do Instituto Nacional de Estatística (INE), Eliana Quintas, apontam que a referida faixa etária representa uma parcela significativa da população nacional em quase todas as províncias.

O documento, segundo a Angop, acrescenta que a maioria dos habitantes situa-se nesta categoria, com destaque para as províncias do Bié, Uíge e Moxico, onde a proporção oscila entre 57% e 58% em Luanda.

O estudo revela ainda disparidades acentuadas no acesso ao registo de nascimento para menores de 5 anos.
Refere que as províncias de Lunda- Sul, Zaire, Cuanza-Sul e Moxico apresentam taxas de registo entre 47% e 71%, e em regiões como Huambo, Cunene e Bié os números baixam para intervalos entre 16% e 25%.

De acordo com o estudo, as diferenças reflectem, essencialmente, os obstáculos na disponibilidade de serviços administrativos e na acessibilidade das populações rurais.

No domínio da educação, sublinhou que a frequência no ensino primário também denota assimetrias, liderando a província do Zaire com 87% de taxa líquida de frequência, seguida pela Lunda-Sul e Cuanza-Norte, ambas com 80%, Bié (44%) e Cunene (48%).

Quanto à prevenção da malária, os dados revelam o uso de redes mosquiteiras tratadas entre crianças dos 0 a 4 anos, sendo mais expressivo no Cuanza Norte (52%), Zaire (47%) e Uíge (46%), em contraste com o Namibe (10%), Huíla (8%) e Moxico (5%) que apresentam os indicadores mais críticos.

O estudo estabelece uma correlação directa entre o nível de riqueza das famílias e a mortalidade infanto-juvenil (menores de 5 anos), tendo as taxas de mortalidade disparidades extremas, variando de 9 óbitos por mil nascidos vivos em Malanje, a 87 por mil no Cuando e Cubango.

Sobre a desnutrição crónica, mantém-se como o principal problema nutricional, sendo mais prevalente nas zonas rurais (20 pontos percentuais acima das áreas urbanas), a desnutrição aguda apresenta níveis preocupantes no Moxico (11,1%), Lunda -Norte (9,2%) e Zaire (8,3%).

O acesso à água potável mostra a forte clivagem entre o litoral e o interior com taxas de acesso de 99,9% em Luanda, Cabinda (89,1%) e Benguela (80,4%). As províncias do Cuanza Norte (47,1%) e o Uíge (34,9%) enfrentam maiores desafios no abastecimento de água.

De acordo com a directora de Estatísticas Demográficas e Sociais do INE, o IIMS 2023-2024, baseado na cartografia do Recenseamento Geral da População e Habitação (RGPH) de 2014, abrangeu todo o território nacional.

Disse que a amostra contemplou 16.243 agregados familiares, com uma taxa de resposta de 99%.

Salientou que o inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2023- 2024) realizado entre 17 de Setembro de 2023 e Janeiro de 2024, baseados em mais de 58 indicadores, permitiu avaliar o desenvolvimento de diversas províncias na promoção do desenvolvimento infantil.


Eliana Quintas acrescentou que foram recolhidos dados sociodemográficos, clínicos e biométricos, que servirão de base para o acompanhamento dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e dos 11 Compromissos da Criança assumidos pelo Governo de Angola.

Na cerimónia de encerramento do referido evento, o ministro do Planeamento, Victor Guilherme, disse que a disponibilização da informação fiável e actualizada do Instituto Nacional de Estatística (INE), reforça a capacidade do Estado em planear, melhor recursos e avaliar com precisão os resultados das políticas públicas dirigidas à infância.

O governante referiu que o documento representa um instrumento importante que permite olhar para a realidade das crianças com rigor técnico, evidência estatística e sentido de responsabilidade.

“Os dados mostram avanços em várias domínios, mas também revelam desafios persistentes entre províncias nas áreas urbanas e rurais”, frisou.

Afirmou que a estrutura da população angolana continua marcada pela juventude e por uma elevada proporção de crianças e adolescentes em quase todas as províncias.

“Investir na criança é investir no desenvolvimento de Angola, devemos continuar a trabalhar com perseverança, coordenação institucional e compromisso político”, realçou.

PUBLICIDADE