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Hospital Julius Nyerere regista 1.235 atendimentos no primeiro mês

Hospital Julius Nyerere
Hospital Julius Nyerere Imagens: DR

Redacção

Publicado às 15h02 11/09/2026 - Actualizado às 15h02 11/09/2026

Luanda - Um mês após a sua inauguração, o Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Nyerere, já realizou 1.235 atendimentos, 130 internamentos e 11 intervenções cirúrgicas, números que começam a revelar a dimensão do papel da unidade no reforço da assistência especializada no país.

Inaugurado a 1 de Agosto de 2026 pelo Presidente da República, João Lourenço, numa cerimónia que contou com a presença da Presidente da República Unida da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, o novo hospital entrou em funcionamento com a infra-estrutura principal concluída e equipada com tecnologia diferenciada, disponibilizando à população uma resposta especializada para doentes queimados e outros casos de elevada complexidade.

Localizado na Centralidade de do Kilamba, em Luanda, o Hospital Presidente Julius Nyerere possui cerca de 47.947 metros quadrados de área de construção, distribuídos por seis pisos, com capacidade para 248 camas.

Concebido como unidade hospitalar de referência do III nível, dispõe de serviços especializados, entre os quais o Serviço de Urgência, Bloco Operatório com seis salas, Unidade de Terapia Intensiva, UTI de Queimados com 36 camas, Câmara Hiperbárica, Imagiologia, Laboratório, Endoscopia, Fisioterapia e Reabilitação, Psicologia, Unidade Neonatal e Brinquedoteca, entre outras valências.

A capacidade da nova unidade começou a ser demonstrada desde os primeiros dias de funcionamento. Na primeira semana, o hospital recebeu vítimas de queimaduras provocadas por combustível e acidentes de viação, além de pacientes evacuados do Cuanza-Sul na sequência da tragédia registada naquela província.

Durante os primeiros 30 dias, foram realizados 1.235 atendimentos, dos quais 729 em regime ambulatório e 506 no Serviço de Urgência. O hospital registou ainda 130 internamentos, sendo 96 na Enfermaria de Queimados, 11 na Enfermaria Cirúrgica e 20 na Unidade de Terapia Intensiva de Queimados, segundo notícia do JA Online.

No mesmo período, foram registadas 94 altas por melhoria clínica e quatro óbitos.

No Bloco Operatório foram realizadas 11 intervenções cirúrgicas, incluindo enxertias cutâneas, desbridamentos, cirurgias reconstrutivas e amputações associadas a queimaduras graves.

Entre os casos de maior complexidade está o de um jovem de 20 anos, com queimaduras de segundo e terceiro graus correspondentes a aproximadamente 35 por cento da superfície corporal.

O paciente necessitou de amputação do terço medial distal do membro superior esquerdo e de amputação transtibial do membro inferior direito.

O doente continua a receber acompanhamento multidisciplinar, envolvendo as áreas de Psicologia, Nutrição, Cirurgia Vascular, Medicina Hiperbárica, Fisioterapia, Cirurgia Plástica e a equipa de feridas complexas.

A Câmara Hiperbárica constitui igualmente uma das valências diferenciadoras já em utilização. Entre os casos acompanhados está o de uma doente de 28 anos, proveniente da Maternidade Lucrécia Paim, que realizou cinco sessões de oxigenoterapia hiperbárica antes de ser submetida a uma reconstrução da parede abdominal.

Outro paciente, de 26 anos, com queimaduras profundas e de terceiro grau, realizou seis sessões de oxigenoterapia hiperbárica antes de receber um enxerto cutâneo no membro superior direito.

A unidade deverá igualmente reforçar a capacidade nacional de tratamento de doentes com insuficiência renal, com a instalação do que será apresentado como o maior Centro de Hemodiálise do país, ampliando a oferta de cuidados especializados e contribuindo para a descentralização dos serviços de saúde.

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