PRéMIO NOBEL
Prémio Nobel da Física 2026 atribuído a Francis Halzen
07/10/2026 16h31
Luanda - O Prémio Nobel da Física 2026 foi atribuído ao belga Francis Halzen, pelos seus contributos decisivos na descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica, anunciou, esta terça-feira, a Real Academia Sueca de Ciências.
Na cerimónia de anúncio, no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), a Academia Real Sueca de Ciências afirmou ter decidido atribuir o Prémio Nobel de Física de 2026 a Francis Halzen "pelas contribuições decisivas para o Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica".
A academia adianta que o laureado belga percebeu que o gelo do Pólo Sul poderia ser utilizado para detectar partículas conhecidas como neutrinos.
"A sua visão e liderança científica têm sido fundamentais para o Observatório de Neutrinos IceCube, um quilómetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz", através do qual "os investigadores conseguem captar neutrinos provenientes de processos extremamente energéticos no universo distante".
A secretária-geral da academia, Ellen Moons, anunciou que o prémio é sobre "mensageiros fantasmagóricos do espaço", e distingue o professor da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, pelos seus contributos para o Observatório de Neutrinos IceCube, instalado no Polo Sul.
"Francis Halzen liderou uma equipa internacional de investigadores e engenheiros que nos forneceram um instrumento fantástico", adiantou.
Por seu lado, o presidente do Comité Nobel de Física, Mark Pearce, sublinhou que "a sua tenacidade e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia", num comunicado publicado no site do Prémio Nobel.
Nascido na Bélgica, o cientista de 82 anos descobriu que o gelo no Polo Sul pode ser usado para rastrear partículas conhecidas como neutrinos que, embora muito abundantes no universo, são extremamente difíceis de detectar.
"Os neutrinos estão em toda parte, mas não se revelam. Eles atravessam a Terra e os nossos corpos sem que percebamos. Muito raramente, um único neutrino interage com um núcleo atómico, o que torna possível que alguém com o equipamento adequado os detecte", lê-se no comunicado do Comité Nobel da Física.
Francis Halzen apresentou pela primeira vez a sua visão para capturar neutrinos no Polo Sul, em 1988, e assim contribuiu para a criação do Observatório de Neutrinos IceCube, um quilómetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz que permite aos investigadores captar neutrinos provenientes de processos de altíssima energia no universo distante.
O Prémio Nobel de Física é o segundo a ser anunciado, depois do da Medicina, que, na segunda-feira, foi atribuído ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, pela sua investigação sobre canais iónicos sensíveis à luz e optogenética.